​Em “De Volta para o Futuro”, quando Marty McFly viaja no tempo, saindo de 1985 para voltar 50 anos na história, ele usa um walkman para assustar aquele que seria o seu pai, colocando o fone de ouvido nele e selecionando músicas de rock pauleira para simular a visita de um alienígena.

Se não foi coisa de outro mundo, a chegada deste aparelho portátil, há exatamente quatro décadas, revolucionou a maneira de consumir música, possibilitando levá-la para qualquer lugar – não à tona, foi batizado pela fabricante Sony de walk (andar) man (homem).

“Para se ter ideia da revolução que trouxe, antes, se você queria ouvir música em movimento, teria que sair com um trambolho que a gente vê em alguns filmes sendo carregado no ombro”, registra Vivaldo Breternitz, professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Lançado em julho de 1979, o walkman reinou por quase três décadas, vendendo 385 milhões de unidades em diversas versões, até começar a ser substituído pelo discman e em seguida pelo MP3 player e, mais recentemente, pelo smarthpone. “Não era barato. No Japão, era vendido por US$ 500”, observa Breternitz.

Embora alguns aparelhos tivessem rádio, o barato dele era ouvir uma fita-cassete (que também era caro) com seleção musical personalizada. “Era muito comum, nas rádios, o locutor avisar o ouvinte que tal música seria tocada em instantes. Era para preparar aqueles que tinham interesse em gravar”, lembra o professor.

A qualidade de reprodução não era lá muito boa, até porque, para ter um tamanho menor e um custo acessível, não poderia ter um som de alta qualidade. Limitações à parte, o walkman virou sinônimo de juventude, como muitos filmes dos anos 80 mostraram.

Exemplo foi “Footloose – Ritmo Louco”, de 1984, sobre jovens de uma cidade conservadora que se rebelam diante da proibição de se reunir para dançarem. A imagem de Kevin Bacon curtindo a música no walkman é usada no cartaz do filme, um grande sucesso na época. pensar que o aparelho foi criado para possibilitar, a pedido de um executivo da Sony, ouvir música clássica em aviões. 

Em “Uma Linda Mulher” (1990), Julia Roberts interpreta uma prostituta contratada por um empresário (Richard Gere) que, no quarto de hotel cinco estrelas, ouve em seu walkman a música “Kiss”, do Prince, cantando de forma ruidosa enquanto está na banheira.

Nos últimos anos, o aparelhinho voltou aos cinemas com Peter Quill, o super-herói de “Guardiões da Galáxia” que, apesar de viver no futuro, mantém-se fiel ao dispositivo. Para o lançamento da segunda parte, o ator Chris Pratt precisou fazer um vídeo explicando o que era um walkman.

Veja o vídeo em que Chris Pratt fala sobre como era o walkman:


 

 

Arte

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