Bases, corridas, arremessos; aspectos de um esporte olímpico que é paixão em países como os Estados Unidos; Japão e Cuba, e que tem tudo para ganhar espaço também em Minas. Um convênio entre a Prefeitura de Belo Horizonte; a Secretaria de Estado de Esportes e a Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira proporcionou a criação do primeiro espaço definitivo e específico para a prática do beisebol (e de sua versão feminina, o softbol) na capital.

O campo montado na Escola Municipal Polo de Educação Integrada – Point Barreiro ­ –, tem dimensões oficiais para competições infantis, o que é um dos focos do projeto, mas, principalmente, vai dispor de toda a estrutura para a prática de treinos e competições. Um trabalho que tem como uma das principais incentivadoras

Emi Kyouho, uma descendente de japoneses que defendeu a Seleção Brasileira de Softbol e hoje concilia o trabalho como designer de jóias com a orientação de crianças carentes e seu primeiro contato com o esporte, através do BH Capitals.

Ela não esconde que a ideia é, a médio prazo, contar com uma equipe com jogadores de 10 a 12 anos para participar de competições oficiais e ajudar a revelar talentos para as principais ligas, na esteira do que ocorreu com o paulista Eric Pardinho que, aos 16 anos, já é profissional na Major League Baseball (MLB), dos Estados Unidos. Foi justamente a organizadora do maior campeonato do mundo a responsável pela doação do material de jogo usado no trabalho de formação do Capitals.

Emi lembra que a grande conquista para o esporte veio depois de um momento delicado, já que o campo que era usado para treinar meninos carentes no Jardim Canadá, em Nova Lima, acabou retomado para jogos do futebol amador local. "Demos um passo atrás na ocasião, mas agora, com o campo, foram 50 para a frente. O potencial do esporte é muito grande e, mesmo sem querer, os meninos muitas vezes já têm as características ideias para praticá-lo. Trouxemos uma vez um técnico de São Paulo e ele se impressionou com um garoto já em seu segundo treino. Mais tarde, matamos a charada: ele está acostumado a correr atrás de papagaios, por isso já o faz com a cabeça para o alto, exatamente como o beisebol exige.  A motricidade deles é maravilhosa".

E mesmo o fato de que as regras não são de simples compreensão mesmo para muitos adultos não é obstáculo. "Realmente não é fácil, não é algo a que os brasileiros estão acostumados mas, assim que eles entendem a lógica do jogo, se interessam bastante, estão ávidos pelo treinamento".