Imagine ter ao seu lado todos os super-heróis do universo, como Superman, Batman e Thor, e não conseguir evitar o fechamento de uma simples loja de 150 m2 cravada na Savassi? A bem da verdade,  os defensores do planeta fizeram a sua parte, responsáveis por um aumento de 50% nas vendas de quadrinhos na livraria Leitura.

O problema – ou melhor, a “kryptonita” – está mais embaixo. Literalmente. Enquanto o segundo andar da livraria localizada na avenida Cristovão Colombo, chamado de “calabouço” pelos fãs de HQs e RPG, vive cheio de clientes, o primeiro piso amarga atualmente uma queda de 40% na procura dos livros “normais”.

Coordenador do setor, Alan de Carvalho não parava enquanto conversava com a reportagem do Hoje em Dia, no início da tarde de ontem. Sob o olhar atento de um Homem-Aranha pregado no teto, pronto para jogar sua teia, ele e sua equipe não paravam de atender pedidos de indicações ou dúvidas sobre um quadrinho que “só lá pode ter”.

Alan aponta para aquilo que é a sua menina-dos-olhos, uma banca repleta de quadrinhos europeus e outras raridades. “Aqui não tem só o que está na crista da onda”, afirma o coordenador, explicando a razão de tantos leitores manifestarem sua indignação no portal do Hoje em Dia, após matéria exclusiva noticiar o fechamento da loja.

Bem do lado está uma outra banca, com edições antigas da coleção Graphic Novels Marvel, da editora Salvat, dedicada a vários super-heróis. “Nós temos todas as edições anteriores, enquanto em outros lugares só têm a última. Pode-se sempre encontrar algo mais específico”, registra Alan, que, de cliente, virou coordenador há dois anos.

“Tanto que meu primeiro salário foi todo para pagar revistas”, diverte-se. E por ter sido cliente antes, Alan criou um atendimento especializado, em que muitas vezes o fã vai à loja apenas para conversar com a equipe, formada também por Dimas, o sabe-tudo de mangás, e Anderson, cujo cabelo branco indica um  conhecedor de HQs antigas.

Esse diferencial deverá ser levado para alguns metros dali, na Leitura do shopping Pátio Savassi. Mas ainda ninguém sabe se o novo local comportará tanta variedade de revistas, que fizeram da loja a principal de Minas nesse quesito. Uma das poucas em que também é permitido trocar uma revistinha usada por uma nova. 

É o que fazia a publicitária Juliana Rodrigues, 29 anos, quando a reportagem chegou na livraria. Fã de mangás, ela explica que o escambo é uma forma de abrir espaço em sua estante para títulos novos. Já o estudante Daniel Duarte, de 16 anos, fez uma reserva e foi à loja após a aula para buscar seu produto, um volume da coleção “Vingadores”, intitulado “A Queda”.

A notícia do fechamento chamou a atenção para o “calabouço”, denominado assim porque o acesso é meio escondido, no fundo do primeiro piso. “Depois da matéria, muita gente que vinha aqui não conhecia o espaço de cima e passou a perguntar”, assinala Alan, que espera uma invasão  no novo endereço. Mas nada com que os heróis precisem se preocupar.

Fãs lamentam fechamento da livraria Leitura, especializada em quadrinhos

DIFERENCIAL - Coordenador da Leitura da Savassi, Alan exibe exemplar de "Do Inferno", que não é fácil de ser encontrado 


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