Familiares de uma paciente diagnosticada com Covid-19 denunciam um golpe que teria ocorrido dentro de um hospital particular de Belo Horizonte. De acordo com as vítimas, um suposto funcionário pediu mais de R$ 7 mil para que a mulher realizasse vários exames. Os parentes já prestaram queixa na policia. A unidade de saúde também apura o caso.

A mulher, de 57 anos, foi internada em 11 de abril. Após cinco dias no Centro de Terapia Intensiva (CTI), ela apresentou melhora e foi transferida para um quarto. Na semana passada, a família recebeu telefonemas de funcionários que seriam do hospital, dando detalhes do quadro de saúde.

De acordo com Pedro Júnior da Silva, de 29 anos, filho da paciente, em um dos contatos, na terça-feira (19), foi dado início ao golpe. Segundo o jovem, um homem - que se apresentou como Rodrigo – disse ser do setor administrativo. O suspeito ligou para o quarto procurando o responsável pelo plano de saúde e deixou recado, pedindo um retorno.

“Entrei em contato e o suposto funcionário informou que minha mãe estava correndo sérios riscos, com problemas sanguíneos. Disse que ela poderia ter uma leucemia se não fizesse uns exames rapidamente. Ele sabia de todo o histórico da minha mãe. Nem desconfiei que estava caindo em um golpe. Fiquei desesperado”, destacou.

O suspeito ainda disse que, para a realização dos exames, seria necessária a autorização da família e um depósito de R$ 7,4 mil. Segundo Pedro Júnior, os aparelhos para o procedimento seriam retirados de uma outra clínica e, desta forma, a mulher não precisaria se deslocar.

O Hoje em Dia teve acesso à conversa entre o filho da paciente e o suposto médico. Confira.

 

Desesperado com o estado de saúde da mãe, Pedro agiu rápido e, em dois dias, fez três depósitos: R$ 3 mil, R$ 2,5 mil e R$ 1,9 mil. Após a transação financeira, os exames não foram realizados.

“Durante todo este tempo que minha mãe ficou lá, perguntaram para ela sobre a minha profissão, querendo saber se eu tinha boas condições financeiras. Mas, até então, não desconfiava de nada”, diz Pedro.

Na sexta-feira (22), a paciente recebeu alta, o que causou estranheza na família. “Fui tirar satisfação com o hospital para saber o que de fato tinha acontecido. Mas não me deram nenhuma atenção. Depois, fui à polícia registrar um boletim de ocorrência”, ressaltou.

Em apuração
O Hospital Felício Rocho, na região Oeste de BH, onde teria ocorrido o crime, acompanha a situação. Em nota, a instituição disse que, por se tratar de um golpe aplicado amplamente já há algum tempo em diversos hospitais do país, “informamos que no momento da internação, esse alerta é passado através do "Termo de Ciência Orientação de Golpe", que é assinado pelo paciente e/ou responsável”.

Delegado responsável pelo caso, Wesley Geraldo Campos, da 2ª Delegacia Sul, disse que as investigações já apuraram que o dinheiro foi depositado em contas de agências bancárias localizadas no Mato Grosso e em Curitiba. "Efetuamos expedição de carta precatória visando tomar as declarações das pessoas proprietárias das contas”, informou. (Colaborou Renata Galdino)