O mês de agosto, considerado o mais seco do ano no Sudeste do país, foi implacável para as áreas verdes no Estado. Noventa e oito focos de incêndios atingiram 27 unidades de conservação (UCs) estaduais e federais mineiras, entre parques, estações ecológicas, áreas de proteção ambiental e reservas biológicas.
 
Somente no dia 13 não foram registrados incêndios nessas áreas verdes. As piores ocorrências foram em 5 de agosto, com focos de calor em dez unidades. Dois dias depois, nove reservas foram afetadas pelo fogo. Já nos dias 26 e 27, oito ocorrências.
 
Canastra
 
Apesar de contar com 39 brigadistas, o Parque Nacional da Serra da Canastra, gerido pela União, foi o mais castigado: 206 ocorrências. Os parques nacionais possuem brigadas de incêndio, mas as outras reservas controladas pelo governo federal não dispõem de equipes de combate às queimadas.
 
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as reservas estaduais mais atingidas pelo fogo foram as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Cochá e Gibão (na região Norte); do Rio Uberaba (Triângulo); da Bacia do Rio do Machado (Sul) e do Rio Pandeiros (Norte). Também foram castigadas a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Pedra Bonita (Zona da Mata) e as APAs Sul (Grande BH), Zabelê e Suaçuí; Ribeirão do Urubu e Rio Manso (Central). A Secretaria Estadual de Meio Ambiente havia previsto a contratação de 18 brigadistas para a APA Cochá e Gibão e 12 para a do Rio Pandeiros, mas não foi o suficiente para evitar queimadas criminosas nessas unidades.
 
Rola-Moça
 
Membro da Associação Mineira do Meio Ambiente, o biólogo Francisco Mourão estranhou que a falta oficial de registros este mês no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. “Eu mesmo combati fogo por lá. Só não queimou mais porque a ação foi imediata”.
 
Pedido de anulação da licença para residencial no Planalto
 
Pode voltar à estaca zero o processo de licenciamento do Residencial Planalto, no bairro de mesmo nome, na região Norte de BH. O projeto teve a Licença Prévia (LP) aprovada pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam) em 28 de janeiro. Mas, no mês passado, a Procuradoria-Geral do Município recomendou que todos os atos do processo sejam anulados. A solicitação é para que haja nova reunião para análise de concessão da LP.
 
“A nossa luta permanece, mas a decisão de anulação e cassação da licença só poderá ocorrer na próxima reunião do Comam, que ainda não foi marcada. É uma vitória expressiva, pois o Comam não tem respaldo para negar a recomendação, que é também do Ministério Público do Meio Ambiente”, ressalta a advogada Ana Cristina Drumond, do Movimento de Associações de Moradores de Belo Horizonte.
 
Segundo ela, no processo havia nomes diferenciados das construtoras. Além disso, o nome Mata do Planalto foi omitido no Diário Oficial do Município (DOM), prejudicando a ciência dos interessados. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o Ministério Público fez recomendação com relação ao princípio da publicidade.
 
PONTO A PONTO
 
Quantidade de focos de incêndio nas unidades de conservação mais castigadas no período de 1° a 31 de agosto de 2015:
 
Federais
 
Parque Nacional da Serra da Canastra: 206
Área de Proteção Ambiental do Carste de Lagoa Santa: 87
Parque Nacional das Sempre-Vivas: 30
Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira: 16
Reserva Biológica da Mata Escura: 4
 
Estaduais
 
Área de Proteção Ambiental Estadual (APAE) Cochá e Gibão: 13
APAE do Rio Uberaba: 9
APAE Bacia do Rio do Machado: 5
Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Pedra Bonita: 4
APAE Pandeiros: 4
APAE APA Sul: 3
 
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)