
Em uma indústria que frequentemente aposta em gráficos ultrarrealistas, experiências cinematográficas e preços exorbitantes, como os valores do novo GTA 6 (a partir de R$ 450), poucos jogos conseguem capturar com tanta fidelidade o espírito dos fliperamas e dos consoles de 16 bits quanto Blazing Chrome. Lançado em 2019 pelo estúdio brasileiro JoyMasher, o game pode já ter seis anos de estrada, mas continua sendo uma das opções mais interessantes para quem procura ação intensa sem gastar muito (menos de R$ 12 na Steam, para PC).
A inspiração é evidente desde os primeiros minutos. Blazing Chrome bebe diretamente da fonte de clássicos como Contra, Super Contra, Contra III: The Alien Wars e Hard Corps. O jogador assume o controle de combatentes da resistência humana em um futuro dominado por máquinas, enfrentando exércitos de robôs, veículos blindados e chefes gigantes em fases que exigem reflexos rápidos e precisão.
A fórmula é simples e praticamente a mesma dos grandes jogos de tiro dos anos 1980 e 1990. O personagem corre, salta e dispara sem descanso enquanto inimigos surgem de todos os lados. Não há sistemas complexos de progressão, árvores de habilidades ou longas sequências narrativas. O foco está na ação pura, exatamente como acontecia nos arcades que consumiam fichas em poucos minutos.
O que diferencia Blazing Chrome de muitos títulos retrô modernos é o cuidado com os detalhes. Em vez de apenas copiar a estética dos clássicos, o jogo procura reproduzir a sensação que eles transmitiam. Os cenários misturam bases industriais, desertos, trens em movimento e instalações militares futuristas. As explosões ocupam boa parte da tela, enquanto os chefes lembram diretamente os confrontos exagerados que marcaram a era dos 16 bits.
Visualmente, o trabalho impressiona. Os gráficos em pixel art apresentam um nível de detalhamento que seria difícil de encontrar nos consoles originais da década de 1990. Ainda assim, a direção artística respeita os limites estéticos daquele período, criando a sensação de um jogo perdido da biblioteca do Mega Drive ou do Super Nintendo.
A dificuldade é outro elemento herdado dos clássicos. Blazing Chrome não faz concessões ao jogador. Um erro pode significar a perda imediata da vida, exigindo memorização de padrões e domínio dos movimentos. Para veteranos dos antigos Contra, isso faz parte do charme. Para novatos, representa um desafio que pode parecer cruel em alguns momentos.
Além disso, armas coletadas e droids (robozinhos que aumentam o poder de fogo) desaparecem a cada morte. No entanto, se o jogador tiver coletado mais de uma arma especial que não estiver em uso, ela permanece no inventário.
Mesmo após seis anos de seu lançamento, Blazing Chrome permanece atual justamente por não depender de tendências passageiras ou perseguir um padrão visual elevado, que tende a se datar com o passar dos anos. É um jogo que entende perfeitamente o que tornou os run and gun famosos há mais de três décadas. Vale a pena experimentar, seja no PC, no Xbox, no PS5 (PS4) ou no Switch. É velho, inspirado em jogo velho, mas parece ter acabado de sair do forno.