Amassadas ou arrancadas, grades de divisão nas pistas das principais avenidas de Belo Horizonte facilitam uma perigosa travessia. A destruição dos equipamentos, causada por vândalos ou acidentes de trânsito, contribui para que pedestres abram mão das passarelas e se arrisquem em meio ao vaivém dos carros.

Nos 12 km da avenida Cristiano Machado, no sentido bairro-Centro, há 34 pontos com divisórias de pistas estragadas

A situação é mais delicada na avenida Cristiano Machado. Só no importante corredor de tráfego que liga o Centro da capital a bairros da região Norte, existem 62 pontos com proteções de metal danificadas, nos dois sentidos dos 12 quilômetros da via.

A equipe do Hoje em Dia percorreu o trajeto entre o túnel da Lagoinha e a Linha Verde e flagrou várias pessoas atravessando entre os automóveis para encurtar o caminho. Um dos locais onde a cena é comum fica perto do bairro Sagrada Família, na zona Leste. O comerciante Geraldo Gomes, de 54 anos, que trabalha na região, presencia a imprudência diariamente.

“Quem faz isso perde mais tempo ao atravessar fora da passarela devido ao fluxo de carros e ainda arrisca a vida”, conta. Geraldo Gomes confirma que muitas estruturas foram arrancadas após acidentes, favorecendo a travessia em local proibido. Mas ele também afirma já ter visto pessoas destruindo os equipamentos.

Mesma situação acontece na altura do número 1.310 da avenida. Lá, praticamente todas as grades estão amassadas e quem está a pé comete o abuso para chegar mais rápido à estação do Move, mais à frente. 

Outro ponto crítico é o cruzamento da rua Matos da Silveira, no bairro Ipiranga. O consultor de vendas Antônio Marcos, de 44 anos, questiona a forma como a passarela nas imediações foi erguida. “Ficou muito extensa e cheia de curvas. Além disso, a escada de entrada é em um local ermo, de difícil acesso. Isso acaba levando as pessoas a atravessarem em pontos inapropriados. Hoje mesmo eu cortei caminho pelo asfalto, passando pela grade danificada, devido à dificuldade de acesso à passarela”, admitiu.

Grades de proteção danificadas
FREQUENTES – Só na Cristiano Machado são 62 pontos com gradis destruídos nos dois sentidos do corredor de tráfego

Sem data

Apesar do perigo, não há previsão para a solução do problema. A empresa responsável pela manutenção das grades optou por não renovar o contrato com a prefeitura no segundo semestre do ano passado, o que está atrasando os reparos. Uma nova licitação será aberta pela BHTrans, mas ainda não tem data definida.

Em nota, a BHTrans informou que até agosto de 2015, quando a firma parou de prestar o serviço, foram gastos R$ 501,7 mil na recuperação de gradis em toda a cidade.

Confira o vídeo produzido pela equipe do HD:

 

 

Cenas se repetem em outros corredores da cidade

TAMBÉM NA ANTÔNIO CARLOS – Rapaz não se intimida com os ônibus do Move e corta caminho longe da faixa de pedestres

A falta de gradis por causa de acidentes ou vandalismo não é realidade aoenas na avenida Cristiano Machado. Na Antônio Carlos, na altura do bairro Lagoinha, pedestres são flagrados atravessando fora da faixa de segurança, passando pelos buracos das grades danificadas. 

O estudante Vagner Souza, que passa todos os dias pela região, confessa que muitas vezes, pelo fato de estar com pressa, acaba atravessando em local proibido. “Sei que corro risco, mas além da correria do dia a dia, acho as passarelas muito perigosas”.

Cobrança

O condutor responsável por acidente que danificou gradis de proteção podem ser acionados para pagar o conserto. A BHTrans esclarece que, quando um motorista causa prejuízo em algum equipamento de trânsito, a empresa, de posse do boletim de ocorrência, encaminha uma carta registrada ao proprietário do veículo com o custo para que ele pague ou indique a seguradora que arcará com o ônus. 

Grades de proteção danificadas
TAMBÉM NA ANTÔNIO CARLOS – Rapaz não se intimida com os ônibus do Move e corta caminho longe da faixa de pedestres

Para que isso ocorra, é preciso constar na ocorrência que o veículo bateu na estrutura. Se o motorista não se manifestar em até dez dias, a BHTrans inicia o processo de cobrança judicial. 

Na maior parte das vezes, o órgão fica sabendo do prejuízo somente depois do acidente. Dessa forma, não é possível acionar o responsável pela batida. No caso da inexistência da ocorrência, a avaria não é especificada como dano ao patrimônio público.