A qualidade da água no decorrer de 650 km do rio Doce é considerada inadequada para humanos e animais. A constatação é da Fundação SOS Mata Atlântica, que realizou expedição em 29 municípios afetados pela lama que vazou do rompimento da barragem Fundão, em Mariana, região Central de Minas, no dia 5 de novembro.

O estudo, realizado entre 6 e 12 de dezembro de 2015, coletou 29 amostras de lama e água. Dos 18 pontos analisados, 16 tiveram Índice de Qualidade da Água (IQA) péssimo. Metais pesados como magnésio, cobre, alumínio e manganês foram encontrados com índice acima do recomendado. Quatro tipos de bactérias também foram achadas no rio.

O estudo aponta, ainda, que a turbidez e o total de sólidos em suspensão na água estão em concentrações muito acima do que estabelece a legislação.  Veja a análise completa neste link.

Recuperação

Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, ressalta que o rio Doce já apresentava condição precária antes do rompimento da barragem. Contudo, a situação piorou após a tragédia. “Agora, com base no monitoramento que vem sendo realizado de forma independente pela sociedade e por autoridades, esperamos que seja possível planejar ações de recuperação de médio e longo prazo para a bacia”, conclui.

Ainda segundo ela, os dados reforçam a gravidade do dano ambiental. “Infelizmente, as chuvas acabam por arrastar mais lama para o leito do rio e a situação tende a ficar ainda mais complicada. A lama e os metais pesados não mascararam ou diminuíram as concentrações de poluentes provenientes de esgoto sem tratamento e de insumos agrícolas”, afirma.