Quem não dispensa o protetor solar sabe que o produto é essencial para evitar doenças causadas pela exposição ao sol. Porém, até essas pessoas precisam reforçar os cuidados. A incidência dos raios ultravioleta ultrapassou os limites aceitáveis em Belo Horizonte. A previsão é a de que o índice chegue, nesta sexta-feira(15), a 14, considerado “extremo” e bem prejudicial à saúde.

Para se ter uma ideia, o alerta já acende quando o nível atinge 8 – em uma escala que vai de 1 a 16. Na última quarta-feira (13), na capital, a medição foi a 13, que pode causar até câncer de pele. 

Com histórico da doença na família, a professora de educação física Deborah Marques Oliveira, de 43 anos, tem o filtro solar como companheiro inseparável. “Tenho dois para o rosto e um para o corpo, e levo sempre um deles na bolsa para reaplicar”, conta.

Deborah dá aulas de natação e, por isso, redobra os cuidados. “Tenho melasma (manchas escuras na pele). Preciso ficar esperta e caprichar na proteção, ainda mais com esse sol escaldante. Não abro mão do fator 70 (do protetor)”, diz.

Cenário

Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – Regional Minas Gerais, Rachel Guerra de Castro destaca que índices preocupantes da radiação são consequência da redução da camada de ozônio, que filtra os raios que chegam à terra. Além disso, o Brasil é um país tropical e está perto da linha do Equador, o que aumenta a insolação no território.

Com níveis extremos, apenas o filtro solar não é suficiente. Além de causar tumores de pele, a radiação afeta a imunidade da pessoa, o que pode provocar outras doenças, como herpes e infecções. “Acima de 11, o recomendável é buscar sombra, principalmente ao meio-dia, bem como usar roupas compridas e bonés e evitar exercícios físicos ao ar livre”, frisa Rachel Guerra.

A farmacêutica Patrícia Barros Carvalhais, coordenadora do curso de estética e cosmética das Faculdades Promove, destaca que os raios podem atingir o DNA das células da pele. “A melanina (pigmento da pele) preserva o núcleo da célula e o filtro solar fortalece essa proteção”. A professora indica, ainda, roupas com tecidos apropriados, como FPU, que também auxiliam no cuidado.

Previsão

Até quarta-feira, os níveis de raios ultravioleta devem permanecer no nível 13 em BH. Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, do ClimaTempo, a tendência é que, com a chegada do outono, em 20 de março, a intensidade da radiação diminua. “Depois, volta a aumentar no decorrer da primavera e atinge o pico no verão”, explica. 

A especialista reforça que a cobertura de nuvens atenua a incidência. “Quando estão baixas, deixando quase todo o céu nublado, o impacto dos raios é menor”, completa Josélia.

(Colaboraram Bruno Inácio e Janaína Oliveira)

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