Índios Krenak, Pataxó e Pankararu ocuparam a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), de Minas Gerais e Espírito Santo, com sede em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, no final da manhã desta quinta-feira (26) e fizeram 52 funcionários reféns.

Um total de 105 índios estão no local para pedir a saída da coordenadora Fátima Aparecida da Silva, que ocupa o cargo há um ano. De acordo com o grupo, falta diálogo do órgão com as comunidades indígenas desde a gestão atual. Eles denunciam ainda, que o Dsei mantém funcionários fantasma e pedem investigação das diárias e viagens da servidora.

 

A servidora pública federal Naysia Alves Filgueiras, de 33 anos, esta apreensiva por causa da irmã, Luciene Pereira Chaves, 36 anos, que trabalha no Departamento de Recursos Humanos do Disei em Valadares e está sendo mantida refém. Segundo ela, desta vez, além de não permitirem a entrada do almoço, recolheram os celulares dos 52 funcionários. "Vim pra ca porque nao consigos contato por telefone e estamos preocupados. Nossa mãe está passando mal em casa", contou.
 

 

No pátio da unidade, os índios cantam e dançam. Da grade do portão, negociadores das polícias federal e militar tentam negociar a saída dos funcionários. Mas os índios não aceitam e nem mesmo a entrada de almoço foi permitida.

Tensão

Por volta das 15h30, militares do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) cercaram o prédio e o clima ficou tenso. Os índios disseram que estavam dispostos a lutar, caso houvesse invasão.

Logo depois, dois funcionários foram liberados porque estavam passando mal. Um deles, de 59 anos, é cardíaco. A entrada da comida para os funcionarios foi liberada às 16 horas.

Testemunhas relataram que os índios levaram comida e água suficientes para abastecer o grupo por três dias. Eles prometem resistir até serem ouvidos pela coordenação do orgão em Brasília. Desta forma, não há previsão para o fim da ocupação.

Uma das reclamações e com relação ao sucateamento da Casai, um alojamento onde os índios ficam alojados em Valadares, quando estão fazendo tratamento de saúde. No lugar estaria faltando água, comida,  fraldas, colchões e até porta nos alojamentos.

 

No final do dia, a coordenadora distrital do DSEI, Fátima Silva, deixou o cargo. No entanto, os índios exigem que chegue até eles um documento de Brasília que comprove a exoneração ou transferencia dela. Só assim eles deixarão o prédio.

O delegado federal Marcelo Xavier, que coordena as negociações, deixou o local com a expectativa de voltar com o documento em mãos, mas retornou somente com um documento que trata sobre "afastamento". O papel não foi aceito pelos índios e o prostesto, com a presença de reféns, continua.

 

 

Atualizada às 21h52