A ação de vândalos tem levado vários ônibus do Move a circular em Belo Horizonte e Grande BH sem o martelo de segurança, ferramenta usada em caso de emergência para quebrar um dispositivo que libera parte dos vidros do veículo. A falta do item, que é obrigatório segundo o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), pode colocar em risco os passageiros que dependem desse transporte.

Na manhã de quinta-feira (16), uma equipe do Hoje em Dia embarcou em alguns veículos das linhas 51 e 61 e constatou a ausência do equipamento em vários deles. Em alguns, foram levados os martelos e até mesmo as caixas que os recobrem. Já em outros, só sobraram os cabos que prendem o dispositivo à estrutura do veículo.
Passageiros que utilizam o Move afirmam que é constante a ausência do martelo em vários veículos. “É preocupante porque é um item de segurança obrigatório. Se faltar pode trazer algum problema”, observou o analista de sistemas Leonardo Perrella, de 29 anos, que pega os ônibus das linhas 50 e 51 todos os dias. “Quem faz isso são vândalos, e a gente é que acaba pagando”, lamentou.

De acordo com o professor do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Juan Carlos Horta Gutierrez, a ausência do equipamento em coletivos pode representar perigo. “Em caso de emergência, esse martelo permite quebrar janelas e facilitar a evacuação das pessoas de dentro do ônibus”.

A funcionária pública Viviane Oliveira, de 43 anos, costuma embarcar na linha 51 pelo menos três vezes por semana. Ela também afirma que já presenciou o problema nos coletivos. “O martelo pode virar arma nas mãos de pessoas mal-intencionadas. Se o vândalo furta o equipamento, pode fazer alguma maldade com as pessoas”, avalia.
 
Fiscalização

Em nota, a BHTrans informou que fiscaliza periodicamente toda a frota de coletivos que roda na capital, mas que entre uma vistoria e outra, podem ocorrer atos de vandalismo. Por isso, segundo a empresa de trânsito, é importante que o usuário denuncie os casos de depredação por meio do telefone 156.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra) admite que alguns veículos têm circulado sem o martelo, mas que os equipamentos já foram solicitados e, assim que chegarem, serão imediatamente repostos. No entanto, não há uma data definida.