Falta de limpeza e manutenção nos veículos, lotação, insegurança nas viagens e descumprimento de horários. Esses são alguns dos problemas relatados por usuários do transporte coletivo que atende cidades da Grande BH, conforme pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). No levantamento, o sistema recebeu dos passageiros, numa escala que vai de 0 a 10, nota média de 3,3.

Esse foi o pior índice entre as regiões metropolitanas abordadas no estudo. Além do de Minas, os modais de São Paulo e Rio de Janeiro foram avaliados. Eles obtiveram, respectivamente, notas 5,5 e 5. 

O baixo investimento em melhorias na frota e a rápida depreciação dos coletivos por causa da infraestrutura precária das cidades podem explicar o resultado da pesquisa, afirma a urbanista Daniela Baez, doutora em engenharia de transportes. 

“Geralmente, observamos que as pistas em que os ônibus metropolitanos circulam estão em pior estado do que as das capitais. Há linhas transitando em ruas de terra, como acontece na Grande BH”, pontuou. A situação também é destacada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitanos (Sintram), que conta com 2.771 veículos na frota.

Insatisfação

A auxiliar de serviços gerais Isabela Cristina da Silva, de 47 anos, reclama das condições dos veículos que a levam de Esmeraldas, onde mora, até o Camargos, região Noroeste da capital mineira. Pelo percurso, a tarifa cobrada é de R$ 8,05.

Já a passagem do coletivo que a mulher utiliza para seguir até o local onde trabalha, na zona Oeste da metrópole, custa R$ 4,05. “Pago menos em BH, e o ônibus está bem melhor, às vezes tem até ar-condicionado”, diz. 

As melhores avaliações dos passageiros, inclusive, podem ter sido em decorrência de itens como ar-condicionado, como é na frota do Rio de Janeiro. É o que diz o especialista em trânsito Osias Baptista. “Esses detalhes fazem muita diferença para o usuário”.

Respostas

Em nota, o Sintram afirmou que os ônibus passam por manutenções preventivas e só deixam as garagens após uma limpeza. O sindicato ressaltou que o vandalismo e a queda de 25% de passageiros nos últimos cinco anos afetam os investimentos no setor.

Responsável por fiscalizar as empresas de transporte da Grande BH, o Departamento Estadual de Estradas e Rodagens (DEER) contestou a pesquisa do Idec. 

O órgão apresentou levantamento feito junto aos usuários no qual mostra que 72% deles acreditam que os horários das viagens atendem às necessidades. Já 64,5% se dizem satisfeitos com o tempo do trajeto e 66% com o atendimento do motorista e do cobrador.

O DEER informou que a Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop) está com um plano de mobilidade em fase de conclusão. O documento, conforme o departamento, “indicará ações para maior fluidez no tráfego” da região metropolitana.