Por dia, pelo menos 13 pessoas são vítimas de estelionatários virtuais em Minas Gerais. Só em janeiro deste ano, foram 404 ocorrências, conforme dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). O número é 24% maior que o registrado no mesmo mês de 2018, quando 324 queixas chegaram às autoridades.

Um dos golpes recentemente descobertos teve como alvos motoristas que queriam quitar tributos como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) ou pagar taxas referentes à Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O Departamento de Trânsito (Detran) do Estado identificou um site falso, usando o nome do órgão, por meio do qual bandidos podem ter roubado dados pessoais e dinheiro de muitos contribuintes.

A denúncia chegou ao Detran por um morador de Itajubá, no Sul de Minas. Ele disse ter pago R$ 86,24, referente à CNH, mas o boleto mantinha-se em aberto na página do órgão. Ao verificar, a corporação identificou a fraude. Como o crime só foi descoberto ontem, os investigadores ainda não sabem há quanto tempo o site estava no ar e quantas pessoas podem ter sido lesadas.

A recomendação da Polícia Civil é que, caso suspeite ter caído no golpe, o motorista acesse o site detran.mg.gov.br e verifique se há pagamentos em aberto em seu nome. Constatado o problema, registre o boletim de ocorrência.

Facilidade

O acesso facilitado à web e o anonimato são chamarizes para quem quer fisgar vítimas. Por meio de sites falsos, criminosos conseguem informações pessoais e bancárias de internautas descuidados. 

Ex-presidente da Comissão de Assuntos de Crimes Cibernéticos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), o advogado Luís Felipe Silva Freire explica que o desconhecimento da população sobre a estrutura da web leva muitos usuários a cair no “conto do vigário”. “Até pessoas muito estudadas têm dificuldade, por exemplo, de saber se um link que clicou é ou não vírus. Não somos preparados para navegar, apenas navegamos”, disse.

“É essencial conferir se a página é a oficial. Na dúvida, ligue no local para certificar-se. Dados pessoais e bancários roubados na internet podem ser usados até para sustentar a criminalidade”, adverte o professor Humberto de Azevedo Viana Filho, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.