Partindo de pontos estratégicos de Belo Horizonte, milhares de mulheres se unirão em um grande ato na Praça Sete, no hipercentro da capital, neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, mostrando, mais uma vez, que para além de homenagens e celebrações, a data é marcada por lutas. É este o tema das manifestações do #8M Popular: "Só da luta brota a liberdade", organizado por mulheres da Frente Brasil Popular de Minas Gerais, junto a movimentos sociais, sindicatos e blocos de Carnaval. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A Pedreira Prado Lopes é a favela mais antiga de BH. Ela foi constituída por mulheres e por homens que vieram construir a primeira capital planejada do Brasil. Ironicamente , os trabalhadores e trabalhadoras não estavam no planejamento da cidade. As trabalhadoras do Brasil continuam sendo consideradas fraquejadas, subjugadas, silenciadas, assediadas e abusadas. Esse ano, o 8M Popular vai da periferia para o centro. Vamos partir da Ocupação Pátria Livre, uma ocupação construída principalmente por mulheres na luta por moradia digna organizadas no Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos. Nós, mulheres da Frente Brasil Popular, somos mulheres sem terra, mulheres sem teto, mulheres sindicalistas, professoras que lutam pelo piso salarial da educação, estudantes, artistas, batuqueiras! No dia 8, marchamos lado a lado, junto àquelas que sempre estiveram na luta. Para o 8M Popular em BH, é o dia de inverter a lógica em que Belo Horizonte foi planejada! A periferia vai ocupar o centro em uma grande onda de mulheres trabalhadoras. 📸 @maxwell_vilela

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Colocando na prática a ideia de que "mulheres são como as águas, crescem quando se encontram", a caminhada a partir da Ocupação Pátria Livre, na Pedreira Prado Lopes, bairro Santo André, irá contar com diversas alas de mulheres e suas bandeiras. É o que explica a coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens, Soniamara Maranho. 

"Este ano teremos as alas das pautas da conjuntura como, por exemplo, a ala das petroleiras, a ala das professoras em defesa da educação e do piso salarial, das atingidas por barragens, das mulheres negras", conta. Ela estima pelo menos 30 mil mulheres presentes no ato. 

As alas terão a condução de integrantes de cerca de 30 blocos de Carnaval, como o Pisa na Fulô, Garotas Solteiras, Magia Negra, Então Brilha, entre outros, em uma bateria unificada formada só por mulheres. Uma forma de mostrar que a política se faz também com cultura e arte, como explica a integrante do Alô Abacaxi, Angola Janga e Corte Devassa, Lorena Lemos. Ela lembra que os blocos de rua estão presentes em diversas manifestações da capital, como as do #EleNão, que antecederam as eleições presidenciais de 2018.

"Este é o papel da cultura também, da arte. Vários blocos já apoiam as ações e irão contribuir no dia 8 de março com a participação de bateria e regência formada só por mulheres. A luta se faz nas casas, nas ruas, no cotidiano, mas também na arte, no Carnaval. É uma forma de colocar as nossas pautas, que são muitas: os direitos conquistados e a necessidade de avanços, mais mulheres na política, o fim da violência, além das questões básicas que estão sendo ameaçadas neste momento, como a saúde, a educação, a previdência", esclarece. 

Há, ainda, outro ato marcado para sair a partir da praça Raul Soares, no Centro de BH, às 9h, também construído por mulheres de coletivos, movimentos sociais, políticos ou independentes. Elas sairão em marcha até a Praça Sete, onde o encontro entre os atos deve acontecer por volta de 12h, formando, então, um grande ato unificado que irá partir da Praça Sete para a Praça da Estação, no tradicional trajeto de manifestações na capital.  



O "Dia da Mulher" já começou

Também na construção do #8M Popular, Débora Sá, do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos, conta que o ato na Pedreira Prado Lopes começa já a partir deste sábado (7). "Haverá um evento com as mulheres da Pedreira, onde iremos produzir o material para a manifestação, além de ser um protesto contra o fechamento de uma escola da comunidade". 

Mas já nesta sexta-feira (6), a data já começa a tomar forma, com programação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde mais de 40 mulheres que fizeram ou fazem história no Estado são homenageadas. Já durante a tarde, a partir das 13h, haverá uma audiência pública na rua, marcada para acontecer na Praça Sete com o tema “Mulheres, história e resistência”, promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Ao longo do dia, diversas entidades realizarão debates, rodas de conversa e apresentações culturais.