Três a cada dez pessoas conduzidas por tráfico de drogas em Belo Horizonte têm menos de 18 anos. Os números, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), revelam que, de janeiro a agosto, 1.458 adolescentes foram apreendidos por envolvimento com esse crime – uma média de seis jovens por dia.

A maioria dos infratores, garantem especialistas, é menino, negro, com baixa escolaridade e morador das regiões periféricas da capital. 

Mas as garotas também têm participação nos delitos. Na noite da última quarta-feira, no bairro Copacabana, em Venda Nova, uma adolescente de 16 anos foi flagrada, por militares, com várias porções de maconha. 

Chefe da Delegacia Especializada de Investigação do Ato Infracional da Polícia Civil, o delegado Felipe Carvalho afirma que a cooptação de menores para o tráfico acontece em “uma curva ascendente”.“Isso acontece, em um primeiro momento, por causa da sensação de impunidade. Menores estão sujeitos a medidas socioeducativas e não são encarcerados, o que atrai (a atenção dos) chefes do crime”, explica.

Dessa forma, relata o delegado, os adolescentes são introduzidos na rotina do comércio ilícito de entorpecentes na função de olheiros. “Geralmente abordam as pessoas que chegam até as bocas procurando drogas, depois vão buscar o material e fazem a troca pelo dinheiro”.

“O serviço de inteligência policial precisa focar os chefes do tráfico, não os menores” (Desembargadora Valéria Rodrigues)

Fragilidade

A apreensão de adolescentes envolvidos com o tráfico representa, também, um fragilidade do sistema de segurança pública. Quem garante é a desembargadora Valéria Rodrigues Queiroz, superintendente da Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

“Eles trabalham para o tráfico porque não encontram outro caminho em razão das leis que os proíbem de ter atividades remuneradas e pela exclusão da escola”, afirma. 

Os esforços, defende a magistrada, devem estar concentrados na prisão dos chefes do tráfico, que por sua vez aliciam os mais novos. “O serviço de inteligência das forças de segurança precisa dar conta de encarcerar estes, que são os verdadeiros criminosos”, completa.

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