O Hospital Eduardo de Menezes (HEM), em Belo Horizonte, que atualmente é dedicado exclusivamente ao atendimento de pacientes com Covid-19, está com uma taxa de ocupação de leitos acima de 85%. Para desafogar a instituição, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) passa a executar a segunda fase do planejamento de enfrentamento ao novo coronavírus, inserindo o Hospital Júlia Kubitschek (HJK) no atendimento a pacientes com a doença.

A mudança começa a ser executada a partir de quarta-feira (27). Os pacientes que forem atendidos na rede pública de Belo Horizonte e tiveram um diagnóstico possível de Covid-19 serão encaminhados ao HJK. Outras demandas de saúde serão atendidas pelas UPAs da capital – em especial a UPA Barreiro, região em que o Júlia Kubitschek está localizado. Dessa forma, quem procurar pelo pronto-atendimento do hospital será instruído a procurar outra unidade. 

De acordo com o presidente da Fhemig, Fábio Baccheretti, os pacientes que forem diagnosticados com “alta suspeição” de Covid-19 (ou seja, com chances altas de ter a doença), ou com gravidade serão encaminhados ao Eduardo de Menezes, enquanto as pessoas com “baixa suspeição” ficarão no HJK.

“Por causa disso, o pronto-atendimento do Julia não atenderá pacientes com procura espontânea”, disse Baccheretti, durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (25). Segundo ele, mais de 50% dos leitos da capital mineira dedicados ao tratamento de Covid-19 são relativos ao Eduardo de Menezes, referência local no tratamento de pacientes com doenças infectocontagiosas. O HEM atualmente está com metade dos 60 leitos clínicos ocupados, além de 27 dos 30 leitos de UTI. 

Ele explicou ainda que o Eduardo de Menezes tem 30 leitos ativos de terapia intensiva e deve receber mais dez nos próximos dias. Obras são realizadas para que a unidade ganhe mais 12, totalizando 52 leitos de UTI programados para atender exclusivamente pacientes com Covid-19.

A maternidade do Júlia Kubitschek já vinha sendo usada no enfrentamento à pandemia, por ser transformado em referência para gestantes com quadro gripal e suspeita de Covid-19. Agora, todo o complexo será dedicado ao tratamento de pessoas com a doença, mas com atenção especial, inicialmente, aos que não apresentam gravidade nos sintomas.

O hospital tem 247 leitos, sendo 30 deles para terapia intensiva. Uma obra está em andamento e, dentro de 60 dias, o hospital terá mais 40 leitos de UTI para garantir o atendimento a pacientes com novo coronavírus. Os infermos já internados na unidade não serão transferidos, a princípio, segundo a Fhemig. 

Durante a coletiva, Baccheretti garantiu que o equipamento de proteção individual (EPI) está sendo distribuído normalmente aos funcionários da rede Fhemig e os protocolos de segurança são ainda mais exigentes no Eduardo de Menezes, para evitar uma contaminação dos profissionais da saúde. Disse também que os servidores estão sendo treinados para enfrentar a pandemia, inclusive por meio de um curso de ensino a distância. 

Em caso de saturação de leitos no HEM e no HJK, a rede Fhemig conta ainda com os leitos do Galba Veloso, já reservados aos pacientes com Covid-19, no caso de um grande aumento da demanda na capital. 

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