Janelas depredadas, teto caindo aos pedaços e muita sujeira, além de furtos de torneiras e vasos sanitários. O cenário é de abandono na maternidade Leonina Leonor, em Venda Nova. Construída há dez anos para atender à população da região, a unidade nunca abriu as portas e, agora, está mais distante de se tornar um espaço obstétrico humanizado. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) pretende transformar o local em um centro de atenção à saúde da mulher.

As obras foram feitas no segundo e terceiro andares do prédio da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA). Para erguer a estrutura foram investidos R$ 4,9 milhões. A meta era realizar até 500 partos por mês. Sem assistência ali, as gestantes da regional são encaminhadas ao Hospital Risoleta Tolentino Neves.

"É um desprezo. É preciso mais compromisso para terminar essa obra e colocar o espaço em funcionamento”, afirma Maria da Glória Silva, do Conselho Municipal de Saúde. Nessa sexta-feira, representantes do órgão, pessoas ligadas a movimentos sociais e vereadores da capital visitaram o local e lamentaram a situação encontrada. O grupo cobra que alguma medida seja feita.

No entanto, o secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado, afirmou que a Leonina Leonor não deve ser colocada em funcionamento. O gestor explicou que a abertura da unidade demandaria um investimento de R$ 5,5 milhões da PBH, além de R$ 30 milhões por ano para garantir a manutenção. 

Machado reforçou que a metrópole conta com sete maternidades equipadas com “leitos suficientes para atender à demanda com folga”. 

De acordo com o gestor, outros serviços são necessários. “A cidade carece de um espaço onde as mulheres possam receber atenção preventiva para câncer de colo de útero, implantação de DIU (dispositivo que funciona como contraceptivo)”.

Em um dos quartos, parte do teto despencou. A situação também foi percebida em uma das salas de UTI Neonatal. Além disso, duas janelas foram depredadas

Em análise

A proposta do Executivo é usar as instalações para criar o Centro Especializado de Atenção à Saúde da Mulher. “Ainda em fase de estudos técnicos e financeiros. Vamos propor isso às comunidades, mas não temos ainda uma definição de quando vai funcionar”, acrescentou.

Outra justificativa é a de que a Leonina Leonor poderia esvaziar os procedimentos realizados atualmente no Hospital Sofia Feldman, na região Norte de Belo Horizonte. “Nós vamos abrir para desconstruir o Sofia? Tirar os partos de lá para levar para essa nova maternidade não vai atender aos interesses de ninguém”. 

Pediatra e integrante da Rede Nacional de Humanização do Parto e Nascimento, Sônia Lansky faz análise diferente. Ela afirma que a capital necessita de outra maternidade. “Hoje, as atuais funcionam acima da capacidade. Isso prejudica a saúde da mãe, dos funcionários e da criança”, afirma a médica. 

Erguida na UPA de Venda Nova, a maternidade conta com seis salas; todos os quartos são equipados com banheiras que auxiliam na humanização do parto

Moradora de Venda Nova, a educadora Cláudia de Almeida, de 36 anos, deu à luz em março deste ano. O parto ocorreu em um hospital da rede particular. “Se estivesse pronta, não teria problema em realizar o parto aqui (na Leonina Leonor). Meu primeiro filho nasceu na rede pública e o atendimento foi excelente”, frisou.