Prevista para começar em até quatro meses, a obra emergencial para captar água no Paraopeba não vai garantir o abastecimento de Belo Horizonte e outras 14 cidades da região metropolitana atendidas pelo rio antes da tragédia da Vale em Brumadinho. Nesta quinta-feira (4), a Copasa informou que, se chover pouco de outubro deste ano a março de 2020, a população pode ficar sujeita a racionamento e rodízio até que a intervenção fique pronta.

“Há risco se registrarmos uma situação de escassez, como em 2014 e 2015”, alertou o diretor de Operações Metropolitanas da Copasa, Rômulo Perilli. Ele participou da CPI das Barragens, instaurada pela Câmara Municipal de BH após o colapso da estrutura em Brumadinho.

Até janeiro do ano que vem, a empresa deve apresentar um novo estudo para definir se haverá necessidade de restrição. O temor se deve ao término da intervenção no rio Paraopeba, previsto para setembro de 2020.

O projeto, em fase de conclusão, prevê a retirada do recurso hídrico acima da área atingida pelos rejeitos de minério. A expectativa é a de que a água seja bombeada para a Estação de Tratamento Rio Manso em junho de 2020. De lá, a região será abastecida.

Etapas

O levantamento topográfico da obra está finalizado. Os próximos passos são as desapropriações, concessões de licenças ambientais e a publicação de decretos apontando a utilidade pública do projeto. 

“As desapropriações não impactam áreas de habitação, mas sim áreas rurais, em que serão implantadas a base de captação e a adutora. Todos os custos com essas desapropriações serão arcados pela Vale”, garantiu Rômulo Perilli.

Rodízio

Ainda conforme o diretor, o término das obras poderá ser adiado caso chova muito neste ano. A intervenção no Paraopeba é acompanhada pela Advocacia-Geral do Estado (AGE) e pelo Ministério Público. Desde o rompimento da barragem, em 25 de janeiro, a população que dependia da água distribuída pelo rio tem sido abastecida pelos reservatórios Vargem das Flores, Rio Manso e Serra Azul, conhecidos como reservas do manancial.

Diante do risco iminente, o governo de Minas pressiona a Vale a adotar medidas emergenciais. A AGE acionou a Justiça para que a mineradora inicie, imediatamente, a captação em trechos do Paraopeba não afetados pelos rejeitos de minério.

Procurada para confirmar os prazos e informar os valores da obras, a Vale se limitou a dizer, por meio de nota, ter apresentado à Vara da Fazenda Estadual e à Copasa um cronograma para realização dos projetos e implantação do sistema de captação de água a 12 quilômetros da barragem. “O detalhamento do projeto já está em avanço com a Copasa”.

Segundo a mineradora, reuniões têm sido feitas para discutir ações necessárias à continuidade do abastecimento nos municípios afetados.

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