Mesmo após a interrupção da captação de água no rio Paraopeba, por causa da tragédia em Brumadinho, na Grande BH, a Copasa garante que o abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte está garantido por, pelo menos, 18 meses. A empresa reforça que não há risco iminente de colapso hídrico para o abastecimento.

Conforme comunicado publicado pela empresa nesta quarta-feira (10), as três represas do Sistema Paraopeba (Rio Manso, Serra Azul e Várzea das Flores) e o rio das Velhas estão com plena capacidade para atender a população durante esse período, mesmo durante a estiagem de inverno.

Graças à captação de água no rio Paraopeba, o volume acumulado das três represas subiu nos últimos quatro anos. Os gráficos disponíveis no site da Copasa mostram que as três represas do Sistema Paraopeba estavam, em março de 2014, com 68,7% de volume acumulado, chegando a 26,2% após 1 ano e meio, em setembro de 2015.

Após a captação no Paraopeba, iniciada em dezembro de 2015, o volume acumulado nos primeiros seis meses passou para 58,8%. No final de março de 2019 este volume estava em 75,4%. A situação diária do volume dos reservatórios da RMBH pode ser consultada aqui.

Um plano de medidas emergenciais e compensatórias para a garantia do abastecimento de Belo Horizonte e região foi apresentado à Vale. A mineradora informa que está em conversa com a Copasa e apresentou cronograma para realização dos estudos de viabilidade das medidas e dos projetos discutidos.

Planos emergenciais

A Copasa informou que a medida emergencial para sanar o problema é a construção de outra captação a fio d'água no rio Paraopeba com a implantação de 12 km de rede para transportar essa água até a estação de tratamento Rio Manso.

 Também são necessárias medidas para prevenção em relação aos riscos de rompimentos das barragens próximas da bacia hidrográfica do Rio das Velhas, para a captação de  Bela Fama, em Nova Lima. Entre essas ações, estão a proteção das estruturas da captação existente no sistema rio das Velhas, com a instalação de comportas para proteção da elevatória de água bruta e das subestações do sistema rio das Velhas; desassoreamento da barragem do Rio das Pedras, da Cemig, em Itabirito, para garantir um volume de 20 milhões de metros cúbicos de água, mediante a implantação de uma adutora para levar essa água até a Estação de Tratamento de Água – ETA Rio das Velhas.

Também será necessária a construção de uma captação alternativa no ribeirão da Prata com implantação de oito quilômetros de redes de água bruta até a ETA rio das Velhas, visando abastecer a população de Nova Lima, Raposos e Sabará. 

Além disto, a Copasa esclarece que mantem com a Vale tratativas das medidas compensatórias. Uma delas é a implantação de uma nova captação de água a fio d'água no ribeirão Macaúbas e implantação de 29 km de rede de água bruta até a ETA Rio Manso. Já a segunda etapa proposta é a construção de barramento no ribeirão Macaúbas.

Visita técnica

Nessa terça-feira (9), vereadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Barragens da Câmara de Belo Horizonte fizeram visita técnica à estação de tratamento de água da Copasa, localizada no distrito de Bela Fama, em Nova Lima, para questionar a empresa sobre uma possível crise hídrica provocada pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão.

Nessa estação, é captada a água do rio das Velhas. A preocupação da Copasa e de órgãos públicos é de garantir a segurança das barragens de Nova Lima que possam atingir a estação, em caso de rompimento. Por isso, a empresa deve fazer uma intervenção na barragem abandonada da Mundi Mineração, localizada há dois quilômetros do Rio das Velhas, no município de Rio Acima. Por meio de um convênio com o governo do Estado, a empresa começará, na semana que vem, a tratar os resíduos dessa barragem que possui cerca de 80 mil m³ de água. Com um custo de R$ 7,8 milhões aos cofres da Copasa, a obra está prevista para durar aproximadamente 10 meses.