Após a primeira denúncia de que um monitor de educação física teria abusado sexualmente de um aluno do Colégio Magnum, outras seis ocorrências de suspeita de abuso foram registradas na Polícia Civil. Nesta quinta-feira (17), após 13 dias de investigações, a polícia descartou a possibilidade de que os crimes tenham ocorridoVários fatores contribuíram para o aumento quase imediato de uma para sete denúncias de abuso dentro do Colégio Magnum, segundo a delegada Elenice Cristine Batista Ferreira, chefe da Divisão Especializada de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente. 

"A forma como você questiona a criança pode trazer, de certa forma, uma sugestionabilidade. E nós percebemos nos autos perguntas feitas de forma direta. Em alguns (áudios), a criança não tinha nem falado o nome do suspeito e isso não foi um relato expontâneo da criança", destacou a delegada, lembrando que existem protocolos internacionais de proteção à criança e ao adolescente que devem ser adotados nesses casos. As crianças devem ser ouvidas por profissionais capacitados.

Mas a delegada reforça que os pais que fizeram o boletim de ocorrência agiram corretamente e que qualquer suspeita de abuso deve ser denunciada urgentemente à polícia, que fará a investigação da forma correta. "A investigação não detectou nenhum tipo de dolo ou má intenção desses pais em registrar esses boletins. Pelo contrário, eles agiram da forma correta", esclareceu. 

Outros fatores

A ampla divulgação do caso nas redes sociais e na imprensa também contribuiu com o aumento de casos. "A partir da instauração do inquérito, vários pais de alunos da escola tomaram conhecimento dos fatos, tanto internamente quanto por meio de redes sociais e pela imprensa. Na semana seguinte, várias famílias compareceram à unidade, pedindo esclarecimento sobre supostos abusos sexuais. Muitos estavam assustados e com medo de que seus filhos também pudessem ter sofrido abuso sexual. Essas famílias foram acolhidas por psicólogos e uma psiquiatra do IML. Após orientação, alguns optaram por registrar boletins de ocorrência mesmo nos casos em que seus filhos não relataram nenhum abuso sexual", informou a delegada Thaís Degani, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente. 

Relembre

A primeira denúncia foi feita em 3 de outubro. Uma mãe procurou a polícia e relatou “que seu filho, de 3 anos, ficava tentando beijar sua boca, atitude não comum entre mãe e filho”. Ela disse também que, ao questionar o comportamento, ele respondeu que teria aprendido isso com o suspeito. Ainda de acordo com a mãe, o aluno "foi forçado a tocar no pênis do autor e que o autor tocou no pênis da vítima”. Segudno a Polícia Militar, a mãe voltou a questionar a criança, que, por sua vez, fez gestos indicando que teria feito sexo oral com o rapaz. 

O segundo caso teria sido semelhante, com a criança relatando situações parecidas. Outros casos também foram denunciados, sendo sete no total.

Na quinta-feira (10), a Polícia Civil apreendeu um aparelho celular durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do monitor. Na sexta-feira (11), o suspeito participou de manifestação de apoio a ele na porta do Colégio Magnum, onde foi recebido com abraços por pais e estudantes. E na última segunda (14), o monitor de educação física prestou depoimento na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente e reafirmou ser inocente. 

Afastado pelo colégio quando surgiu a primeira denúncia de abuso,  o ex-monitor agora avalia se aceita o convite para retornar  ao trabalho na escola.

Confira a nota completa do Colégio Magnum

  • "Hoje, a sociedade avança com a confiança na Justiça, fruto do trabalho criterioso, detalhado e ético de toda a equipe de Policiais Civis da Delegacia Especializada de Proteção da Criança e do Adolescente.
  • Certos de que Deus está conosco no caminho da verdade, todas as provas colhidas na investigação evidenciaram que nenhuma das alegações ocorria em nossa escola. Demonstração disso é que nossos protocolos de segurança foram cruciais para o esclarecimento do caso.
  • A apuração da Polícia Civil concluiu que não há elementos para indiciar nenhuma pessoa da escola. Mais do que isso, representantes do órgão destacaram que a vítima inicial e as demais que surgiram no desenrolar da investigação não sofreram abuso sexual pelo investigado e nem por qualquer outro professor ou integrante da escola.
  • Inicialmente, decidimos pelo afastamento do colaborador supostamente envolvido, com o duplo objetivo de resguardar a integridade da família e do colaborador e de permitir que o inquérito pudesse tramitar de forma isenta. Cumprimos nosso papel perante a sociedade, as famílias, nossos educadores e as autoridades competentes. Estando a investigação concluída, permanece o compromisso já firmado com o colaborador afastado de manter sua vaga garantida tão logo ele queira e possa retomar suas atividades.
  • Agradecemos às inúmeras manifestações de apoio recebidas pelas famílias, por educadores, alunos, ex-alunos e de todos aqueles que confiam em nossa instituição.
  • Permanecemos com o compromisso que pautou nossos 25 anos de sólida trajetória, conduzidos com o foco no ensino, na formação e na espiritualidade cristã".