A Prefeitura de Belo Horizonte precisa cumprir a promessa, renovada nesta semana, de concluir até o fim deste ano as primeiras três obras do sistema de trânsito rápido por ônibus. Ou BRT, como se tornou conhecido no mundo, desde que foi inventado pelo arquiteto Jaime Lerner em Curitiba e implantado há quase 40 anos na capital paranaense, onde foi prefeito por três mandatos.

O sistema criado por Lerner foi adotado, em 2010, pelo prefeito Marcio Lacerda que, no entanto, quis deixar sua marca, ao autorizar notável alteração no conceito original: Diferentemente de Curitiba, deveremos ter múltiplas linhas num mesmo corredor de BRT. Antes da capital, outra cidade mineira, Uberlândia, inaugurou seu BRT, em 2006. Não é tão grande como o de Curitiba ou o prometido para Belo Horizonte, mas é o único existente, por enquanto, numa cidade com menos de 1 milhão de habitantes. No mundo, já funcionam BRTs em três dezenas de países, todos eles inspirados na invenção brasileira. No Brasil, o Ministério das Cidades vem incentivando o sistema.

Belo Horizonte não pode esperar mais. Sua população se cansou de obras iniciadas pela prefeitura, tumultuando ainda mais o trânsito e prejudicando o comércio local, sem prazo certo para terminar. É incrível que a obra da avenida Santos Dumont, prevista para terminar no fim de 2012, tenha sido interrompida por falta de mapeamento do subsolo, nessa área importante da cidade. A avenida será interditada novamente, a partir deste sábado (13), para que a obra prossiga e possa terminar 12 meses depois do inicialmente previsto. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura deveria se empenhar ao máximo, para que ela termine bem antes do próximo Natal, para não prejudicar ainda mais os comerciantes. Afinal, a prefeitura deve respeitar a tradição da Santos Dumont, historicamente uma avenida com intenso comércio.

Não se pode repetir, nos próximos meses, essa desculpa apresentada pelo secretário José Lauro Nogueira, de que as obras previstas para o BRT nunca foram paralisadas e que a visão em contrário se deve à grande extensão dos trechos. E, sendo assim, em algum local específico, as pessoas não veem movimentação de máquinas ou operários. Essa justificativa da Secretaria de Obras e Infraestrutura é inaceitável para uma população que espera soluções urgentes para a crise do transporte coletivo. E que começa a se cansar de promessas nunca cumpridas de melhoria da mobilidade urbana.