A flexibilização da quarentena em Belo Horizonte, com a reabertura de cerca de 11 mil pontos de comércio na cidade nesta segunda-feira (25), deixa o poder público temeroso. Em entrevista à Rádio Itatiaia, na tarde deste domingo (24), o prefeito Alexandre Kalil afirmou que a liberação de algumas atividades econômicas na capital não pode ser encarada pela população como autorização para relaxar o isolamento social. 

KalilAlexandre Kalil afirma ter receio com a flexibilização da quarentena na principal cidade de Minas Gerais

“Abrir não é ir para a rua. Ninguém, nem o prefeito, nem os quatro médicos (que formam o comitê de enfrentamento à Covid-19), estão absolutamente tranquilos”, destacou o chefe do Executivo municipal, pedindo aos moradores que fiquem em casa e só saiam se houver extrema necessidade.

Para Alexandre Kalil, a quarentena precoce - em 20 de março - e outras ações adotadas ajudaram a minimizar o impacto do novo coronavírus em Belo Horizonte. Porém, apesar do número de óbitos em decorrência da doença na metrópole considerado baixo em relação a outras capitais, como São Paulo (6.163) e Rio de Janeiro (3.993), não há nada o que ser comemorado, frisou o prefeito. 

“Eu não me acostumo definitivamente que na minha cidade tenha 42 mortos. Isso me chateia, eu ando muito amolado, muito triste. Porque podem falar ‘é um sucesso”, mas que sucesso é esse que nós temos 42 mortes? Não tem sucesso nenhum. Não estamos correndo atrás do sucesso. Estamos correndo atrás da diminuição da tragédia”, disse.

Volta ao trabalho

A prefeitura estima que 30 mil pessoas deixem o isolamento social para voltar ao trabalho. O número representa 2,5% dos moradores hoje em confinamento, cuja taxa de adesão está em torno de 49%.

Os segmentos autorizados a funcionar a partir desta segunda-feira deverão cumprir os horários de abertura estipulados pela administração municipal e seguir normas sanitárias, como limitar o número de clientes nos locais, usar máscaras e disponibilizar álcool gel. 

De acordo com Alexandre Kalil, a reabertura do comércio será monitorada diariamente. “Se a pandemia caminhar para um momento que eles (especialistas do comitê de enfrentamento) acharem que há descontrole, não vamos ter o menor constrangimento de voltar atrás (e fechar novamente)”, frisou.

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