Mais de três anos após um fã da apresentadora Ana Hickmann invadir o hotel onde ela estava no bairro Belvedere, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, fazer ela e outras duas pessoas reféns e acabar morto pelo cunhado dela com três tiros na nuca, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu manter a absolvição do empresário Gustavo Henrique Bello Correa pelo homicídio. Ele já havia sido absolvido pelo crime, por legítima defesa, em 2018, porém, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) recorreu da decisão e queria que ele respondesse por homicídio doloso em júri popular.

A decisão foi proferida na tarde desta terça-feira (10) pela 5ª Câmara Criminal. O crime aconteceu no dia 21 de maio de 2016, quando Rodrigo Augusto de Pádua, de 30 anos, invadiu armado o quarto onde a famosa estava no Hotel Caesar Business. 

Na nova decisão, os desembargadores Júlio César Lorens (relator), Alexandre Victor de Carvalho e Eduardo Machado entenderam que a conduta do réu não foi excessiva, mas "caracterizava legítima defesa, dada a situação de tensão, cansaço, pânico e angústia do empresário". Para o relator, a ação do empresário foi "justa e lícita", já que ele estava diante de uma ameaça iminente, real e atual, não tendo outra alternativa.

Em sua decisão, Lorens citou ainda fatos que indicavam que a natureza do evento não foi de uma execução. “Naquele inferno, não havia como avaliar que resposta seria suficiente, pois as ações decisivas duraram frações de segundo e todos estavam sob instabilidade intensa”, disse.

O magistrado lembrou ainda que uma testemunha contou ter ouvido três estampidos seguidos após cerca de oito minutos de luta corporal, que o formato dos ferimentos demonstravam que houve resistência da vítima e que existem provas de que o "fã" premeditou o ataque, tendo inclusive procurado ofertas de armas e munições na internet e pesquisado sobre a existência de detector de metais no hotel. 

Inversão de papéis

Em sua argumentação, o advogado do cunhado de Hickmann, Fernando José da Costa, chegou a afirmar que o recurso do MPMG configura uma "inversão de papéis", pois, o órgão, que ele chamou de “guardião da sociedade”, passou a acusar o cidadão. “O réu nesse caso é a vítima”, disse.

Na defesa do réu, ele recordou a perseguição de Pádua contra a apresentadora nas redes sociais, tendo planejado uma vingança a partir do momento em que ela o bloqueou. O defensor descreveu ainda tudo que aconteceu durante os 31 minutos que o empresário, sua esposa e a famosa ficaram presos no quarto e sob a mira do agressor. 

Nesta terça, Ana Hickmann chegou a fazer uma publicação no Instagram pedindo que as pessoas rezassem por sua família. "Se Deus quiser, os desembargadores manterão a sentença absolutória, que entendeu que meu cunhado agiu em legítima defesa. Ele foi o Herói da história, salvou a minha vida e da Giovana", postou.

Relembre

Gustavo Corrêa foi acusado pela morte de Rodrigo Pádua. De acordo com a denúncia do MPMG, a vítima era fã da apresentadora Ana Hickmann, cunhada do réu, e nutria por ela uma espécie de “amor platônico”. Incomodada com as insistentes mensagens enviadas por Rodrigo, por meio de mídias sociais, Ana decidiu bloqueá-lo. Isso revoltou a vítima, que, sentindo-se menosprezado, passou a planejar um ataque à artista.

A vítima se deslocou para a capital mineira e hospedou-se no mesmo hotel onde estava a apresentadora e a equipe dela. Armado, o homem invadiu o quarto onde a artista e a irmã e o cunhado dela estavam hospedados. No quarto, de acordo ainda com a denúncia, a vítima e o réu entraram em luta corporal. Gustavo teria conseguido se apoderar da arma de Rodrigo e disparado na nuca da vítima, mesmo após ela estar desfalecida no chão.

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