Em 8 meses de pandemia do novo coronavírus, a prefeitura encontrou mais de 5,1 mil irregularidades no comércio de Belo Horizonte. As falhas referem-se ao descumprimento das regras sanitárias determinadas em decretos municipais e abrangem, dentre outros, problemas em manter o distanciamento dentro dos estabelecimentos, falta de máscara e de álcool em gel.

Os que insistiram em manter o funcionamento em desacordo com as normas foram interditados: 143. Mesmo assim, houve comerciantes que descumpriram a ordem de fechamento e 20 multas foram aplicadas, segundo a prefeitura.

Conforme o Hoje em Dia mostrou na edição de 19 de novembro, parte da população afrouxou as medidas de contenção do novo coronavírus. A reportagem flagrou muitas pessoas sem máscaras tanto nas ruas quando dentro de lojas. Em lanchonetes, até funcionários estavam sem a proteção facial. A prevenção, de acordo com especialistas, pode ajudar a frear a disseminação da doença.

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas da capital (CDL-BH), Marcelo Souza e Silva garante que a maioria dos comerciantes se preocupa em cumprir os protocolos sanitários. “Até mesmo porque, hoje, é uma forma de garantir o consumidor. Quando o consumidor vê que tem aglomeração, que não tem álcool gel, nem medição de temperatura, que as filas não estão organizadas, ele mesmo se afasta e aquela loja perde seu cliente”.

O crescimento dos casos de Covid-19 é preocupante, diz o titular da seção mineira da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG), Matheus Daniel. Porém, ele frisa que, nas últimas semanas, o número avançou em meio às eleições, com muitos candidatos fazendo “corpo a corpo” nas ruas. Daniel reconhece que há comerciantes desrespeitando os decretos, mas seriam em menor quantidade. “Por mais que não concordemos com algumas normas, temos que cumpri-las. Para quem não segue, a fiscalização deve ser dura”.

O presidente da Abrasel contou ter pedido à PBH a veiculação de campanhas de conscientização sobre os riscos do coronavírus. Procurada, a prefeitura disse que as informações sobre a pandemia serão repassadas durante entrevista coletiva, hoje, com prefeito Alexandre Kalil e membros do Comitê de Enfrentamento à Covid-19. 

Incidência de Covid aumenta 51% em 14 dias na capital


A incidência da Covid-19 em BH subiu 51,6% em apenas 14 dias. Conforme boletim epidemiológico divulgado pela prefeitura ontem, cidade registra 90,9 casos de infectados a cada 100 mil habitantes. Em 9 de novembro, eram 60 casos a cada 100 mil pessoas. A epidemia será considerada de baixo risco quando o município passar a registrar 20 casos neste mesmo grupo. 

O dado reforça que a pandemia voltou a ter uma curva ascendente na capital mineira este mês, com a taxa de transmissão do novo coronavírus permanecendo em nível de alerta (acima de 1). 

Segundo o boletim, o número médio de transmissão por infectado (Rt) é de 1,08 – ou seja, 100 pacientes infectam, em média, outras 108 pessoas.

O levantamento ainda mostra que BH contabiliza 53.115 moradores testados positivo para a doença, 245 a mais do que o boletim do dia anterior. Até o momento, a metrópole registrou 1.622 vidas perdidas por causa do novo coronavírus. (Cinthya Oliveira)