Quem quiser fazer uma pequena viagem no tempo já pode embarcar, via internet, e ter acesso a mais três revistas do início do século passado que contam um pouco da história de Belo Horizonte e de Minas. “Novo Horizonte”, de 1910, “Vita” (1913) e “Semana Ilustrada” (1928) estão à disposição no site do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH), ao lado de inúmeras outras revistas belo-horizontinas digitalizadas, como a “Alterosa” (circulou de 1939 a 1964, ou a “Vida de Minas” (1915/1916).
 
Algumas mostram ousadias da época, como a capa da edição número 3 da “Vita” com a foto de uma jovem mostrando o seio candidamente, ou revelam que a crítica às gastanças do Parlamento atravessam décadas e séculos, como mostra um autor que se identifica apenas como Fritz: “Para conjurar a crise/E a falta de numerários/Basta que o Congresso corte/Nos meses extraordinários”.
 
A exemplo das demais do acervo, as três novas revistas catalogadas são ricas em fotos, contos, crônicas, piadas e culto à personalidade de autoridades e do meio empresarial da época. Por essas e outras, Manoel Penna e Azeredo Netto, diretor e redator da “Novo Horizonte”, não se acanharam em contar com a contribuição financeira para a revista se manter e avisaram: “Esta revista procurará levar aos leitores todos os melhoramentos que foram praticados pela prefeitura, pelo governo do Estado e iniciativa privada”.
 
Já a vanguardista revista de artes e letras “Vita”, “consagrada à propaganda material e moral do Estado de Minas Gerais”, tinha ilustres como o jornalista Edgard Matta (Machado) e o poeta, romancista, jornalista, teatrólogo e historiador Abílio Barreto, que em 1913 publicou: “Por que me negas um beijo?/Usurária!... Que tolice!.../Se fosse teu meu desejo,/Dar-te-ia quantos pedisses”. 
 
A “Semana Ilustrada” traz curiosos anúncios da época, como o do guaraná Iodo-Kola, “tônico do útero soberano nas moléstias do estômago, intestinos, coração e nervos”.