Pelo menos 40 pessoas morreram em acidentes relacionados à energia elétrica no ano passado em Minas. O levantamento consta no Anuário Estatístico da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel). Para efeito de comparação, em 2017 apenas um óbito havia sido registrado pela entidade no Estado. 

A explosão está diretamente ligada ao aumento dos casos de choques elétricos, incêndios por curto-circuito e até de descargas atmosféricas (raios) registradas em território mineiro. Em 2018, foram 104 ocorrências ante 33 do ano anterior, aumento de 215%. 

De acordo com a publicação, os eventos com choque elétrico lideram o ranking de acidentes dessa natureza no país, com 836 registros, seguidos pelos incêndios por sobrecarga, com 537 ocorrências, e os acidentes por descargas atmosféricas, que somaram 51 episódios. 

“As causas mais comuns atribuídas aos acidentes são gambiarras elétricas, instalações antigas, falta de manutenção e uso de uma mesma tomada para conexão de diversos equipamentos ao mesmo tempo”, explica o documento. 

Sobrecarga 

Engenheiro de Segurança do Trabalho da Cemig, Demétrio Aguiar afirma que a falta de projetos elétricos na maior parte das construções pode ajudar a entender o fenômeno. Ele explica que, por questões financeiras, muitos tentam economizar nos materiais elétricos e aí começam os problemas.

“Hoje, as residências têm muito mais aparelhos consumindo energia o tempo inteiro. Um sinal claro de que a fiação não está adequada é quando as lâmpadas perdem força no momento em que você liga o chuveiro. Isso acontece em muitas casas”, alerta Aguiar. 

Outro problema comum apontado por especialistas é o acúmulo de aparelhos ligados em uma mesma tomada, principalmente os celulares. De acordo com a coordenadora do curso de Engenharia Elétrica das Faculdades Kennedy, Valéria Rocha de Oliveira, o risco aumenta quando os carregadores são de baixa qualidade.

Ela afirma que muitas pessoas ainda realizam ligações com os aparelhos conectados nas tomadas, o que pode criar a situação ideal para acidentes. 

“Apesar dos casos fatais serem mais comuns em obras, as ocorrências em residências têm se tornado mais comuns. O impacto do choque varia de pessoa para pessoa, mas uma corrente elétrica pode paralisar o coração da vítima e levar a morte em pouco tempo”, afirma. 

A orientação, segundo a engenheira, é sempre procurar profissionais da área para obras ou reformas que envolvam mudanças na fiação da casa. “É um tipo de cuidado que garante a segurança dos aparelhos e das pessoas”, ressalta Valéria.