Depois de passar 18 dias na prisão, o fazendeiro Adriano Chafik, acusado de mandar matar cinco trabalhadores rurais, crime que ocorreu em 2004 e ficou conhecido como "Chacina de Felisburgo", pode ser solto nesta segunda-feira (9) e pegar um voo para a Bahia. Segundo o advogado de defesa de Chafik, Sérgio Habib, o Superior Tribunal de Justiça concedeu o habeas corpus para o seu cliente na sexta-feira (6). No entanto, por causa do foi feriado da Independência no sábado (7), somente nesta segunda-feira (9) ele vai deixar Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, o que provavelmente irá ocorrer nesta tarde. Ainda de acordo com o advogado, assim que Chafik ganhar a liberdade, o mesmo vai direto para o Aeroporto de Confins, na Grande BH, onde vai pegar um voo rumo ao estado baiano. "A decisão de prendê-lo foi arbitrária. Ele cumpriu todas as determinações da Justiça espontaneamente. Agora, vamos aguardar o próximo julgamento", explicou Habib.

A prisão do fazendeiro foi determinada no dia 21 de agosto, quando ele e outros acusados de participação nos homicídios, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira, Milton Francisco de Souza e Washington Agostinho da Silva, também tiveram a prisão preventiva decretadas. Na ocasião, o juiz do 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, Glauco Soares considerou o pedido do promotor, Christiano Gomesque, e as sucessivas tentativas da defesa em adiar as sessões. O próximo julgamento dos réus foi marcado para o dia 10 de outubro.

Eles são acusados de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e incêndio. O fazendeiro responde ainda por formação de quadrilha. As penas podem chegar até 30 anos de prisão. Um quinto réu, Admilson Rodrigues Lima, morreu no decorrer do processo.
 
Crime
 
A "Chacina de Felisburgo" aconteceu em 20 de novembro de 2004 no acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova Alegria, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha. Na ocasião, cinco trabalhadores rurais - Iraguiar Ferreira da Silva, de 23 anos, Miguel Jorge dos Santos, de 56, Francisco Nascimento Rocha, de 72, Juvenal Jorge da Silva, de 65, e Joaquim José dos Santos, de 48 - foram assassinados e cerca de 12 pessoas ficaram feridas, inclusive crianças.
 
As cinco vítimas foram executadas com tiros à queima-roupa. O fazendeiro Adriano Chafik, principal réu do processo, confessou ter participado do crime, mas poucos dias depois conseguiu, por meio de habeas corpus, responder ao processo em liberdade.
 
As famílias sem terra montaram acampamento na fazenda Nova Alegria em 2002 e tinham denunciado à Polícia Civil algumas ameaças por parte dos fazendeiros. No mesmo ano, 567 dos 1.700 hectares da fazenda foram decretados pelo Instituto de Terra de Minas Gerais (ITER) como terra devoluta, ou seja, área do Estado e que deveria ser devolvida para as famílias.
 
Quase nove anos depois da chacina, as famílias ainda vivem no assentamento e aguardam que parte da área seja desapropriada. Iniciado há 14 anos, o processo agora tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).