O homem acusado de matar o ex-prefeito de Mariana, na região Central de Minas, foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado na tarde desta terça-feira (10). No entanto, Leonardo Stigert da Silva vai aguardar o recurso em liberdade, conforme o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O destino do réu foi decidido por quatro homens e três mulheres, que formaram o conselho de sentença. O Ministério Público (MP) foi representado pelo promotor Francisco Santiago.
 
Durante o julgamento, realizado no 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, o réu negou participação na morte de João Ramos Filho. Ao juiz Glauco Soares, que presidiu a sessão, Silva disse que confessou o crime em data anterior porque foi torturado na delegacia.
 
Conforme o condenado, policiais lhe deram vários socos no estômago, colocaram plástico em sua cabeça e ameaçaram apertar seus testículos com alicate. Depois de ter apanhado, o réu disse que assinou o documento da confissão "montado" da delegacia. Relatou, também, que não teve direito a ligar para seu advogado.
 
Ainda em seu depoimento, que durou 27 minutos, Silva disse que não conhecia Francisco de Assis, apontado pelo MP como responsável pelo tiro que matou o ex-prefeito. 
 
Ainda conforme o TJMG, um policial civil, única testemunha arrolada pela acusação e pela defesa, foi dispensado de prestar depoimento. Antes do início do julgamento, o defensor do réu questionou sobre a realização da sessão em BH, uma vez que o assassinato ocorreu em Mariana, mas o juiz prosseguiu com o julgamento.
 
Desmebramento
 
No total, três homens foram acusados pelo homicídio. Porém, o processo foi desmembrado na sessão que seria realizada no dia 29 de maio. O juiz optou pelo desmembramento por causa da complexidade para julgar os três acusados juntos e também porque o novo advogado constituído pelo réu Guaracy Goulart Moreira alegou que não teve tempo para estudar o caso. Já o advogado do réu Francisco de Assis Ferreira Carneiro, Délio Gandra, anexou atestado médico comprovando estar com problemas de saúde. O júri dos dois está previsto para 28 de agosto próximo.
 
Apesar de o crime ter ocorrido em Mariana, o caso será julgado na capital porque o juiz Pedro Câmara Raposo Lopes, da 2ª Vara de Mariana temia que o julgamento se transformasse numa “querela política entre hostes contrárias" e comprometesse a imparcialidade dos jurados, já que o assassinato ocorreu no “calor” dos preparativos das eleições de 2008, fato que deixou a população local indignada. 
 
Relembre o caso
 
Conhecido como "pai dos pobres", João Ramos Filho foi assassinado em 15 de maio de 2008 na MG-262, estrada que liga Mariana, na região Central, a Ponte Nova, na Zona da Mata. O ex-prefeito estava em um posto de gasolina de sua propriedade quando foi atingido por quatro tirpos. O crime teria sido motivado por desavenças políticas. Segundo o Ministério Público, Francisco de Assis tinha interesse em concorrer para o cargo de prefeito da cidade, pretensão ameaçada pela candidatura da vítima.