Robert Balbino Leonardi, conhecido como “Betinho”, e Maxmiller Ferreira da Silva, o "Max Cabuloso" serão levados a júri popular nesta quinta-feira (29) no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. Eles são acusados de integrar um grupo de extermínio que matou 21 pessoas entre 2004 e 2009 em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), além de serem suspeitos de comandar o tráfico de drogas na região. 
 
Inicialmente, os réus seriam julgados na comarca de Vespasiano, mas o julgamento foi transferido para Belo Horizonte para garantir a segurança dos acusados e dos familiares das vítimas, tendo em vista a repercussão que os fatos causaram em São José da Lapa e Vespasiano na ocasião. Os crimes pelos quais respondem os acusados aconteceram em setembro de 2009.
 
De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), os dois réus e um terceiro, que não foi localizado, atiraram em R.G.B., que morreu no local, e em M.A.N., que levou um tiro no braço e conseguiu escapar e se esconder em um lote vago. Com relação ao terceiro envolvido, o juízo de Vespasiano determinou a suspensão do seu processo e do prazo prescricional até 31 de agosto de 2030 (artigo 366 do Código de Processo Penal).
 
Em maio de 2012, eles foram absolvidos da acusação de homicídio de outras duas vítimas. A absolvição se deu a pedido do próprio MP, sob o argumento de que os depoimentos no processo apontavam o envolvimento dos réus com o tráfico de drogas, mas não havia nenhuma prova concreta do envolvimento deles com o duplo homicídio. Eles foram indiciados pela polícia através de depoimentos de testemunhas que ouviram dizer que eles eram os culpados.
 
O grupo de extermínio era liderado pelo ex-cabo da Polícia Militar (PM), Rodney Balbino Leonardi, conhecido como "Robocop" . Ele e os réus que serão julgados nesta quinta-feira são apontadosem um inquérito da Polícia Civil como suspeitos de participação em pelo menos 21 homicídios na região de São José da Lapa. A denúncia aponta que o grupo vivia em constante guerra pelo tráfico de drogas e que "Betinho" usava uma ambulância da cidade para transportar os entorpecentes. As vítimas assassinadas deviam dinheiro para o militar e pertenciam a gangues rivais.