Mais de 1 milhão de alunos brasileiros de 15 anos têm baixo rendimento em matemática, interpretação de texto e ciências. O número equivale a 40% dos estudantes dessa faixa etária. Com esse resultado, o Brasil acabou nas últimas posições do ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE) que mede o nível de aprendizado de adolescentes de 64 países.

O estudo, divulgado nessa quarta (10), se valeu de dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O objetivo da pesquisa é entender os motivos que levam tantas pessoas a se sair mal na escola, bem como descobrir formas de ajudá-las a superar as deficiências.

Para especialistas, a avaliação negativa do Brasil já era esperada. “Apenas reflete o sistema educacional implantado por aqui”, afirma João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, que promove políticas de educação.

Em vez de privilegiar a qualidade do ensino, explicou ele, os governos preferiram investir na expansão da rede.

“Mais de 60 milhões de brasileiros já estão nas escolas. Garantiram vagas para todo mundo e distribuíram diplomas. O problema é que tudo foi feito às pressas e, assim, não foram capazes de manter o nível mínimo de aprendizado”.

A baixa qualidade dos professores, segundo João Batista, também justifica o desempenho dos estudantes brasileiros. Hoje, diz ele, cursos como pedagogia ou letras são feitos apenas por estudantes que tiveram notas ruins no Enem. “São áreas que remuneram mal. Portanto, a maioria dos profissionais também não tem a qualificação necessária para dar aula”.

As consequências dos maus resultados escolares não afetam apenas os alunos. Em longo prazo, uma educação sem qualidade pode implicar em crescimento econômico menor do próprio país, ressalta o relatório da OCDE. Algumas nações, aliás, se encontram em um estado de recessão permanente”.

Ponto Positivo

Apesar de o Brasil ainda ter um longo caminho a percorrer, os estudos demonstraram que avanços já foram alcançados.

Entre 2003 e 2012, o país conseguiu reduzir em 18% a quantidade de estudantes com problemas em matemática. México, Tunísia, Turquia, Alemanha, Itália, Polônia, Portugal e Rússia também tiveram melhorias nesse período.

A OCDE avaliou que as nações que conseguiram progredir têm características diferentes – uma prova de que todos podem apresentar resultados positivos se tratarem o assunto como prioridade.

(Com agência AFP)