Mais de 20 anos após crime ocorrido no Aglomerado da Serra, região Centro-Sul da capital, um advogado de 49 anos foi preso pela Polícia Civil acusado de ser o autor do crime. O homem já havia sido condenado em 2014, mas vinha postergando a prisão na Justiça, lançando mão de vários recursos jurídicos, como habeas corpus.

Ex-soldado da PM, ele teria saído da corporação em 1995 e ingressado em um dos mais famosos grupos especializados em roubo a bancos da época. Por conta do homicídio pelo qual foi detido, o advogado chegou a ir para a cadeia duas vezes, mas conseguiu na Justiça o direito de responder pelo crime em liberdade. 

A nova ordem de prisão foi expedida em fevereiro. Desde então, o ex-PM estava na mira da polícia, informou o delegado Gustavo Barletta, da 2ª Delegacia de Furtos e Roubos. “O processo se alongou durante quase 20 anos, recursos atrás de recursos conseguindo adiar a detenção”. 

O condenado foi preso em casa, no bairro Mantiqueira, em Venda Nova, e não reagiu. O imóvel já é conhecido dos investigadores. Em 1997, no local, houve uma troca de tiros entre os membros da quadrilha do ex-militar e a polícia.

“Por ser uma pessoa extremamente perigosa, conhecedor de armas e ex-policial, a prisão foi efetuada com muita cautela, impedindo qualquer reação. É um criminoso com diversas passagens por roubo, latrocínio, homicídio”, contou Barletta.

A defesa do advogado disse que o cliente tinha sido condenado em primeira instância, mas que a pena foi anulada. “Nova sentença foi dada, mas ele tem um habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que lhe dá o direito de responder em liberdade até o trânsito em julgado”, afirmou Leonardo Lima Moreira. Em fevereiro, a Justiça mineira expediu novo mandado, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal autoriza prisões em segunda instância. 

Exercício da profissão

Segundo os policiais que realizaram a prisão, o interesse pela advocacia nasceu em uma das vezes que ficou acautelado. Após ser solto, o ex-militar formou-se em direito, tendo, inclusive, o registro na seccional mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG). Hoje, ganha a vida como proprietário de um escritório especializado na área criminal e com o aluguel de mais de 30 imóveis que tem na Grande BH.

A OAB-MG diz que acompanha o caso, mas não explicou como o filiado, mesmo condenado, conseguiu o registro em 2017.
Para Leonardo Lima, o cliente pratica regularmente a profissão, por estar devidamente inscrito na entidade.