R$ 12.260,11. Esse foi o valor que a Justiça localizou, até o momento, nas contas da cervejaria mineira Backer. A informação é do advogado André Couto, que representa quatro famílias de vítimas da suposta intoxicação com as sustâncias tóxicas dietilenoglicol (DEG) ou monoetilenoglicol, que foram achadas em rótulos da marca.

No total, a Justiça mandou bloquear um montante de R$ 5 milhões - valor que inicialmente tinha sido fixado em R$ 100 milhões - para garantir indenizações futuras, tanto individuais quanto coletivas.

Contudo, rastreando as contas bancárias da empresa, de acordo com Couto, foram sequestrados R$ 11.643,15 em uma conta e R$ 616,96 em outra. "No mínimo estranho para uma empresa que teve faturamento superior a R$ 70 milhões no ano passado", declarou o advogado.

Já que a quantia encontrada nas contas é insuficiente, o próximo passo, segundo o advogado das famílias, é sequestrar bens como carros  e imóveis. 

Procurada pela reportagem para explicar os balores encontrados no bloqueio, a Backer afirmou que o sigilo dos dados contábeis de empresas é garantido por lei. Todas essas informações foram prestadas e consideradas pela Justiça na decisão que desbloqueou os bens da empresa para fins de custeio das despesas médicas de clientes e familiares.

Bloqueio de verba

Na sexta-feira (6), o desembargador Luciano Pinto, da 17ª Câmara Cível de Belo Horizonte, reduziu em 95% o valor fixado para garantir os pagamentos das indenizações. A decisão será contestada pelo advogado que representa alguns dos familiares. "Com certeza vamos recorrer nos próximos dias", declarou André Couto.

O caso

A Polícia Civil investiga 38 casos suspeitos de intoxicação. Até o momento, exames laboratoriais já atestaram a contaminação por DEG ou monoetilenoglicol em 11 vítimas - sendo que quatro morreram. 

Nesse domingo (8), o caminhoneiro Ronaldo Victor Santos, de 49 anos, que morreu supostamente intoxicado após beber cervejas da Backer. Ele seria a 7º vítima do caso.

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