O Aeroporto da Pampulha, que deve ser concedido à iniciativa privada em 2020, acumula déficit de R$ 24,6 milhões, segundo a Infraero, responsável pela administração do terminal. O desafio do Ministério da Infraestrutura, que realiza estudos para definir novos critérios para exploração da Pampulha, é criar uma modelagem de concessão que torne o aeroporto, hoje operando com 10% da capacidade, atrativo para investidores. Atualmente, apenas uma companhia opera na Pamulha, restrito a voos regionais.

Desde de 2017 arrasta-se uma polêmica com idas e vindas sobre a volta de voos interestaduais ao aeroporto, uma demanda das companhias aéreas contestada  pela concessionária do Aeroporto de Confins, a BH Airport, que sustenta que o retorno criaria uma competição predatória.

"Analisando a situação atual, é claro que é ruim, mas a análise de viabilidade de negócios não se faz com base no agora, e sim, no fluxo de caixa para frente, com base nos novos investimentos", aponta o coordenador do curso de Economia do IBMEC em BH, Márcio Salvato, lembrando que há alternativas. 

"Se dentro desta concessão for permitido, além do tráfego regional, algum tráfego para cidades específicas como o Rio, São Paulo e Campinas, ainda que em aviões de pequeno porte, isso poderia abrir mais oportunidades. Outra possibilidade é a exploração dos voos de cargas, especialmente se houver esta abertura fora dos limites do Estado", exemplifica Salvato. 

Em 2018, o Aeroporto da Pampulha registrou um fluxo de 205.690 passageiros, entre embarques e desembarques, frente a uma capacidade de até 2,2 milhões. O déficit de 2017, de R$ 24,6 milhões, foi superior ao registrado em 2016, de R$ 24,3 milhões. O balanço de 2018 deve ser divulgado até o final deste mês. 

Hoje apenas o Voe Minas Gerais - Projeto de Integração Regional de Minas Gerais – Modal Aéreo - tem voos regulares no aeroporto, com passagens subsidiadas.Trata-se de uma iniciativa do governo do Estado conectar cidades e promover o desenvolvimento econômico regionalizado. Os aviões operam de segunda a sexta-feira e atendem a 17 cidades mineiras. 

Entenda o imbróglio

Após o Tribunal de Contas da União (TCU) revogar, na última quarta-feira (13), a medida cautelar que impedia o Aeroporto da Pampulha de realizar voos domésticos sem restrições, o Ministério da Infraestrutura decidiu que o terminal deve ficar restrito a voos regionais, impossibilitando, assim, a retomada dos voos interestaduais. 

A restrição fica mantida até que sejam concluídos estudos sobre a viabilidade do aeroporto, que deve ser concedido à iniciativa privada no segundo semestre do ano que vem. "O aeroporto fará parte da 7ª rodada de concessões aeroportuárias", informou o órgão. 

A BH Airport, concessionária responsável pelo Aeroporto de Confins, na Grande BH, comemorou a decisão do TCU e do ministério. "Escolhas públicas devem ser baseadas em elementos técnicos subsistentes”, declarou. Quando os voos de longa distância foram autorizados na Pampulha, em 2017, a BH Airport argumentou que a medida provocaria prejuízo a Confins, ao dividir o tráfego.

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