Placas que enganam os motoristas não são a única armadilha que o trânsito de Belo Horizonte impõe a quem precisa se locomover pela cidade. Faixas de rolamento sinuosas, que se estreitam repentinamente, e pistas que “desaparecem” no meio do trajeto são problemas recorrentes em ruas e avenidas da capital mineira.

No último domingo, o Hoje em Dia mostrou as “pegadinhas” reservadas pela sinalização. Problema histórico na cidade, as placas muitas vezes indicam um caminho, mas levam a outro. Agora, aponta trechos que simplesmente perdem a continuidade e são mal sinalizados. Assim, formam gargalos, contribuem para congestionamentos e aumentam o risco de acidentes.

Um deles é o da avenida Tereza Cristina, no bairro Padre Eustáquio (Noroeste), nas imediações da rua Ingaí – no sentido Coração Eucarístico. Quem segue pela esquerda é surpreendido pelo afunilamento da pista e depara-se, repentinamente, com a mureta do rio Arrudas.

Não existe placa de alerta, apenas sinalização no asfalto. Na avaliação de especialistas, quanto maior o alcance da indicação de mudança, mais satisfatória a informação. “É comum ver rua que afunila, que estica o passeio e obstáculo na pista sem que haja uma indicação correta. De longe, nem sempre é possível se orientar. Obrigatoriamente, a sinalização por placa deve ficar no alto, no centro da pista”, alerta o advogado Carlos Cateb, que participou da elaboração do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Desconhecido

Para quem não mora em BH, a exemplo do motorista de ambulância Gilson Vieira Lima, de 59 anos, os problemas podem ser ainda maiores. Morador de Santana da Vargem, no Sul de Minas, ele vem à capital pelo menos três vezes por semana. No percurso, encontra situações de estreitamento de pista que, nem sempre, são conhecidas.

“Para a gente que conhece pouco a cidade, é ainda mais difícil. Quando o motorista que vem atrás não respeita o limite, então, a chance de acidente é grande”, comenta Lima.

A BHTrans informou que a sinalização para movimentação de faixas é implantada em função do volume de tráfego, da velocidade permitida, de visibilidade e condições de segurança da via e que pode ser feita com placas, pintura no solo e/ou marcas de canalização.

Segundo o consultor em engenharia de tráfego Frederico Rodrigues, a sinalização por placas só pode ser dispensada quando o trecho já é muito sinalizado verticalmente.

O ideal, de acordo com ele, é manter os dois tipos de indicação, aérea e no chão. “É regra, porém, que cada estrangulamento tenha pelo menos duas pinturas indicativas no asfalto”, diz.

“Belo Horizonte é uma cidade que cresceu muito e só depois foi se pensar em um planejamento" Frederico Rodrigues - consultor em engenharia de trânsito

“São situações ótimas para fazer gargalo, congestionar o trânsito e provocar acidentes” Vanderlei Mendes - taxista

Quanto maior o alcance da indicação de mudança, mais satisfatória a informação, dizem especialistas