Os três ex-dirigentes do Cruzeiro na gestão 2018/2019, o trio de empresários do mundo da bola e mais um que trabalha com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), todos eles denunciados pela Polícia Civil (PC) na Operação Primeiro Tempo, que investigou irregularidades no clube, dificilmente deixarão de ser denunciados à Justiça pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG).

Isso porque PC e MP trabalharam juntos nas investigações. E isso ficou claro numa fala do delegado Domiciano Monteiro, da Divisão Especializada de Combate a Corrupção, Investigação a Fraudes e Crimes contra a Ordem Tributária.

“Fizemos um trabalho conjunto com o Ministério Público, que tem feito diversas tratativas com Doutro. Gustavo Xavier. Ao longo desse tempo, ele tem tentado tirar leite de pedra. Analisou bastante documentos. A gente espera que não fique apenas neste relatório final, mas que seja o início, com outros desdobramentos”, afirmou Domiciano.

Além da parceria entre os dois órgãos, o relatório aponta situações claras de crimes.

Na negociação de Mayke com o Palmeiras, por exemplo, no final de 2018, foi inserido um intermediário, que não representava o jogador, e recebeu R$ 800 mil de comissão. Depois, este valor foi usado no pagamento de uma dívida trabalhista que um ex-dirigente do Cruzeiro tinha com um treinador de futebol em outro clube, onde eles trabalharam juntos.

Na contratação de Bruno Silva, seu agente recebeu um valor acima do praticado no mercado. Com a quebra do sigilo bancário foi possível ver que ele repassou parte do valor a um profissional liberal, que tinha uma dívida a receber de um ex-dirigente celeste.

Fábio

Até o maior ídolo cruzeirense, Fábio, foi usado. Na renovação de seu contrato foi inserido um agente que não o representa e recebeu R$ 750 mil. A alegação do empresário e do dirigente que o colocou no negócio era de que ele tinha conseguido uma proposta de um clube do exterior pelo goleiro, que foi aceita pelo atleta, mas depois recusada. Sendo assim, ele teria direito a uma comissão.

O próprio Fábio foi ouvido pela Polícia Civil e garantiu que não recebeu proposta alguma e que muito menos recusou alguma transferência no período alegado.
O valor da comissão, de R$ 750 mil, foi repassado pelo empresário colocado na negociação a um ex-dirigente do clube.

Um dos três cartolas que entrou no Cruzeiro em janeiro de 2018 e foi indiciado pela Polícia Civil, recebeu ainda do clube R$ 450 mil que, segundo as investigações, não têm motivo.

Isso porque foi um pagamento retroativo aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2017, quando o clube tinha outra gestão, que garantiu não ter contado com os seus serviços.

Números
A Operação Primeiro Tempo analisou mais de 50 mil documentos, alguns deles retirados de computadores e HDs apreendidos em junho do ano passado, quando foram feitas busca e apreensão na sede do Cruzeiro e na casa de ex-dirigentes.

Os crimes praticados pelos sete indiciados são: apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa. A somatória das penas pode chegar perto dos 20 anos.