A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou nesta segunda-feira (11), na Justiça Federal de Minas Gerais, uma ação cautelar pedindo que a mineradora Vale seja obrigada a contratar um laboratório especializado para analisar a qualidade da água do Rio Paraopeba, contaminado pela lama de rejeitos da barragem do córrego da Mina do Feijão, que se rompeu no mês passado, resultando na morte de 160 pessoas e outras 160 desaparecidas. O rio é usado no abastecimento público de 18 municípios mineiros. A informação foi anunciada pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros.

"O pedido de liminar prevê que as amostras sejam colhidas por agentes do Sistema Único de Saúde e os resultados sejam entregues diretamente à União", disse o porta-voz, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto. Se a Justiça autorizar o pedido do governo, os exames laboratoriais deverão analisar se a água do rio foi contaminada por metais pesados como chumbo, manganês, cádimo e arsênio.

O conselho de ministros do governo federal também está avaliando, em reunião na tarde desta segunda-feira, uma eventual revisão da liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) às vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho. Segundo o porta-voz da Presidência, a avaliação do governo é que não se trata de um desastre natural, como prevê a lei que trata da liberação do fundo, em casos excepcionais, mas de uma responsabilidade da mineradora. Mais cedo, o ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, antecipou o interesse de mudar a classificação do rompimento de barragens como desastre natural.

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