A depressão é a quinta doença mais frequente entre os brasileiros, conforme a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), de 2008. Quem sofre ou já sofreu com esse mal sabe que os remédios para o tratamento são agressivos e provocam efeitos colaterais. Mas a acupuntura tem se mostrado um caminho eficaz para combater os sintomas do problema e, ao mesmo tempo, garantir qualidade de vida.

Segundo a acupunturista Luciana Meneghel, as agulhas podem amenizar sintomas como perda de interesse ou prazer pelas atividades do dia a dia, alterações de apetite ou peso, sono, dificuldades para concentrar-se ou tomar decisões, diminuição da energia, pensamentos sobre morte, planos ou tentativas de suicídio, entre outros.

“A acupuntura é livre de medicamentos e sem contraindicação. Não há efeitos colaterais e, por isso, ela é mais eficaz que os remédios. O único alerta é para que o tratamento seja realizado por um profissional capacitado”, afirma Luciana Meneghel.

Antes de começar o tratamento, o paciente passa por uma avaliação. Geralmente, as sessões são realizadas uma vez por semana e têm duração média de uma hora. O número de sessões depende das reações de cada um.


Aliados

Para o presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA), Hildebrando Sábato, nos casos mais graves de depressão não se deve prescindir dos antidepressivos, e a técnica deve ser aplicada em conjunto.

Como aliado dos remédios, o tratamento com as agulhas é capaz de reduzir as doses alopáticas e ajudar na retirada dos medicamentos. “A acupuntura é interessante, por exemplo, em grávidas deprimidas, que não podem tomar medicamentos fortes”, destaca Hildebrando.

O profissional faz acupuntura na bióloga Maria da Conceição Carneiro Gonçalves, de 52 anos, há cerca de um ano e meio. Além das agulhas, o tratamento tem boas doses de conversa sobre a vida e os sentimentos da paciente.

Ela passou por situações muito difíceis desde que os pais morreram, há dois anos, em um grave acidente de carro, na BR-381. Diagnosticada com sintomas de depressão, ela se recusou a tomar antidepressivos e procurou a acupuntura.

“Achei que nunca fosse conseguir sair daquele mar de tristeza. Entendi que a depressão é um conjunto de manifestações no corpo humano e, no meu, causou pressão alta e elevou a glicose”, conta. Atualmente ela diz que, apesar da saudade dos pais, está bem e lida melhor com os problemas.