Essencial para a saúde, a vitamina D pode ter alguns “poderes” além dos já conhecidos, como a proteção óssea. Estudo desenvolvido pela Universidade de Michigan, nos EUA, trouxe esperança para quem trava uma batalha contra o câncer ao indicar o nutriente para aumentar o tempo de sobrevida desses pacientes.

A pesquisa examinou dez outros estudos, que envolveram 79 mil pessoas diagnosticadas com carcinomas e que tomaram a substância por pelo menos três anos. A constatação foi a redução de 13% na mortalidade entre elas.

O estudo ainda é preliminar e precisa de mais análises, como quais prazos e quantidade de suplemento administrada para resultados satisfatórios no tratamento. Mas, para os cientistas, os dados são animadores e demonstram a importância da vitamina D nas terapias contra tumores.

A relação do hormônio com o câncer é alvo de pesquisas desde 1980, conforme o oncologista Charles Pádua, diretor médico do hospital Cetus. 

Segundo ele, supõe-se que o nutriente age na regulação da transcrição do gene, explica o especialista. Na prática, isso significa impedir o crescimento celular e induzir à apoptose (morte programada) de células tumorais. “Aumentando as chances dos pacientes terem benefício com a suplementação”, diz Charles Pádua, que também é membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

“Por controlar o crescimento celular, a vitamina D já é prescrita em alguns casos de quimioterapia. Há relatos de redução no processo inflamatório das células e regulação da função imune do paciente”, frisa o farmacêutico Adriano Basques, gerente técnico do Laboratório Lustosa.

Idoso, gestante, paciente com raquitismo, osteoporose, doença inflamatória ou autoimune fazem parte do grupo de risco. Se necessário, devem repor a vitamina D

Com cautela

A vitamina D só deve ser administrada sob a orientação de um profissional, que irá avaliar se o doente tem deficiência da substância e está em condições clínicas de ingerir o suplemento. Como a dosagem deve ser alta, é preciso acompanhar esse tratamento. Índices do hormônio além do prescrito podem levar à intoxicação.

Segundo Charles Pádua, há registro de um paciente no país que teve piora no estado de saúde após tomar medicamento manipulado com a dosagem 40 vezes maior que a recomendada. O doente, que já apresentava outras enfermidades crônicas, foi hospitalizado por conta de uma insuficiência renal.

Nada de prevenção

Entretanto, o uso da vitamina D não pode ser associado à prevenção do câncer, alerta o presidente da Sociedade Mineira de Cancerologia, Gustavo Braumgratz. “Todos os estudos feitos nesse sentido tiveram resultados negativos”, observa o oncologista, que é médico do Grupo Santa Casa BH.

Por outro lado, o hormônio não deixa de ser importante para evitar doenças como osteoporose, diabetes e autoimunes. “Mulher com fragilidade óssea, por exemplo, deve fazer a reposição para aumentar a absorção do cálcio”, indica o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais, Rodrigo Nunes Lamounier. Já em idosos, a carência do nutriente representa maior risco de fraturas. 

Deficiência

A exposição ao sol é responsável por 80% da absorção da vitamina D no organismo. Porém, mesmo em um país tropical como o Brasil, estima-se que três a cada dez pessoas apresentem deficiência do hormônio.

Só depois de saber que precisava repor o nutriente, em abril deste ano, foi que a contadora Janaina Munhoz Assis, de 38, entendeu a importância dele para a saúde. Os níveis baixos foram descobertos em um exame de sangue pedido pelo endocrinologista.

 Além do medicamento receitado, ela passou a tomar sol todos os dias, das 8h às 10h. De companhia, leva o filho Enzo, de 2 anos e dois meses. “O sol é tudo. Depois que tive a deficiência, vi o quanto é importante a vitamina D para a gente, principalmente para a mulher, por conta da osteoporose”.

Vitamina D

Tempo frio

Se nem todos se expõem aos raios solares como se deveria, a situação pode piorar no inverno. Nessa época, é comum as pessoas, mais agasalhadas, deixarem menos partes do corpo à mostra.

Mesmo nesse período, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Rodrigo Nunes Lamounier, ressalta a importância de tomar sol, diariamente, por cerca de 20 minutos. “Sem filtro solar, que bloqueia a ação dos raios na pele, prejudicando a absorção da vitamina D”, observa.

 A recomendação do especialista é aplicar o protetor no rosto, que tem a pele mais sensível, deixando braços, pernas, ombros e costas descobertos. “Ficando o tempo necessário já é suficiente”, destaca.

Para garantir a dose diária de vitamina D no organismo, o ideal é tomar sol por cerca de 20 minutos e incluir na alimentação peixes como sardinha e salmão, carne de fígado e leite, dentre outros

Alimentação

Outra forma de reforçar a vitamina D no organismo é por meio da dieta, observa a nutricionista Aline Cristina Pinheiro Amorim de Melo, doutora em Ciência dos Alimentos. Porém, nesses casos, somente 20% da dose necessária para a saúde é absorvida.

Presente em peixes oleosos, como sardinha, bife de fígado, gema do ovo e leite, o nutriente também é encontrado em produtos industrializados. “Hoje já existe até bananada com vitamina D e cálcio”, diz a especialista, que também é professora do curso de Nutrição das Faculdades Kennedy.

Na maioria dos casos, o paciente com baixos níveis da substância no organismo não apresenta sintomas, mas é possível que algum se queixe de cansaço, dores nas articulações e fragilidade óssea.

O ideal, indica a professora Aline Cristina, é fazer exames regularmente. “Constatado o problema, a pessoa é acompanhada até que os níveis de vitamina D subam. Se isso não acontecer, mesmo com medicamento, outras doenças relacionadas, como diabetes, são investigadas”, diz.