As comunidades de Água Quente e São José do Jassem, distritos de Alvorada de Minas, na região Central, passaram por horas de pânico após o acionamento da sirene da barragem de rejeitos do Minas-Rio, de propriedade da mineradora Anglo American, no início da noite dessa sexta-feira (3).

Muitas pessoas saíram de suas casas em direção aos pontos de encontro indicados pelas autoridades e pela mineradora, com medo da repetição das tragédias de Mariana e Brumadinho, ocorridas em 2015 e 2019, respectivamente.

Apesar de terem sido informados, horas depois, de se tratava possivelmente de uma falha gerada por descarga elétrica, os habitantes não conseguiram dormir e, em Água Quente, pessoas passaram mal e precisaram ser atendidas.

“Foi um pânico geral, com muito corre-corre. O barulho (da sirene) é impressionante e minha primeira reação foi avisar toda a família para que pudessem evacuar a área”, registra o ajudante rural Alan Neves, de 19 anos.

Residente na comunidade de São José do Jassem, ele afirma que a sirene foi acionada na vizinha Água Quente, distante cinco quilômetros. “Após 40 minutos fomos informados por terceiros que havia sido uma falha. A Defesa Civil e a Anglo só chegaram depois de duass horas”, explica.

Vídeos divulgados no WhatsApp exibem a agonia da população de Jassem e de Água Quente, onde uma pessoa foi transportada em ambulância.

O alarme falso, porém, não tirou a sensação de medo dos moradores. “Muita gente ficou preocupada. Eu consegui dormir, mas a minha família que mora perto do rio não”, lamenta  Neves.

barragem

Em janeiro de 2019, após a tragédia de Brumadinho, a comunidade de São José do Jassem manifestou preocupação com a barragem do Minas-Rio, da Anglo American

Localizada próximo ao Córrego Passa Sete, a barragem de rejeitos do Minas-Rio, com método de construção a jusante,  tem sete anos e, recentemente, passou por um trabalho de alteamento.

De acordo com o site da Anglo American, as comunidades e os povoados mais próximos da barragem são Passa Sete (3,9 km), Água Quente (5 km), Goiabeira (5 km), Teodoro (6,9 km), Cachoeira (8 km), Cachoeira de Baixo (8,1 km), Saraiva (11,1 km) e São José do Jassem (12 km).

A mineradora divulgou nota, na noite de sexta, informando que “não houve acionamento das sirenes pela Sala de Controle da empresa e que a barragem de rejeitos está segura, sem alterações na estrutura”.

Destacou ainda que, “durante a semana, foram feitas inspeções e monitoramentos de seguranças” em que não foram detectados anomalias. “Todas as leituras dos instrumentos estão dentro da normalidade e o sistema de drenagem opera normalmente”.

Por fim, a empresa pede na nota “desculpas às comunidades pelo transtorno”, colocando-se à disposição para mais esclarecimentos, que podem ser obtidos por meio da central 0800 941 71 00.