Filha de Danilo Caymmi, Alice cresceu vendo o famoso avô contando histórias. “Ele era um senhor muito agradável, uma pessoa muito lúcida e culta. Ouvia com atenção todas as histórias, pois ali eu tinha muito para aprender”, afirma a artista, lembrando de Dorival Caymmi (1914-2008).
 
No ano do centenário de um dos maiores compositores do século 20, Alice decidiu viajar pelo país com repertório totalmente dedicado ao avô. O show “Dorivália” chega a Belo Horizonte neste sábado (15) e integra a programação pré-carnavalesca do Granfinos. 
 
“A ideia, na verdade, não partiu do centenário, mas do nome ‘Dorivália’, que veio à minha mente (união de Dorival com Carnavália). Tive um insight de colocar em um show tudo que eu gosto de uma maneira mais jovem”, afirma Alice Caymmi.
 
Refresco
 
O repertório apresenta clássicos – como “Preta do Acarajé”, “Saudade da Bahia”, “Acalanto”, “Gabriela” e “Maracangalha” – mas nem todas essas músicas são conhecidas pela geração de Alice, de 24 anos. 
 
“É um repertório tratado muitas vezes com muito puritanismo, como se houvesse um jeito único de tratar a música de Dorival. Quis fazer arranjos diferentes, como um refresco no olhar para o público”, diz a artista, que investiu no peso da percussão e das guitarras ao planejar “Dorivália”.
 
No show especial, ela é acompanhada por algumas figuras bem conhecidas no universo do rock independente: o baixista Gustavo Benjão e o baterista Marcelo Callado (ambos do grupo Do Amor), o percussionista Thomas Harres (do Lettuce) e o guitarrista Gabriel Mayall, o Bubu dos Los Hermanos. 
 
No show deste sábado (15), ela não vai cantar as músicas de seu primeiro álbum, homônimo, lançado em 2012. A única música do show que não foi composta por seu avô é sua versão para “Iansã”, lançada recentemente em seu perfil do Soundcloud. Composta por Gilberto Gil e Caetano Veloso, a música foi gravada por Maria Bethânia em 1972. “Não é uma música do Dorival, mas bem que poderia ter sido feita por ele”, brinca Alice.
 
Carreira
 
A demanda por “Dorivália” tem sido tão grande que Alice deve dedicar todo o ano de 2014 ao show. Retoma o repertório de seu primeiro disco somente depois da gravação de seu segundo álbum – possivelmente em 2015.
 
Assim como o primeiro trabalho, Alice deve apostar no repertório autoral. A artista já foi gravada até pela tia famosa, Nana Caymmi.
 
Alice Caymmi no Granfinos (av. Brasil, 326, Santa Efigênia). Amanhã, às 22h. R$ 40 e R$ 20 (meia)