No dia a dia atarefado, tomado pela rotina com trabalho, estudo, família e afazeres domésticos, não é incomum descuidar da alimentação e acabar recorrendo a lanches rápidos e gordurosos, além de comidas processadas. No entanto, o cérebro precisa de nutrientes selecionados para manter o bom funcionamento. A escolha das refeições pode determinar o desempenho do órgão, melhorando, inclusive, a concentração e a cognição.

Alguns alimentos têm componentes que auxiliam na formação dos neurotransmissores, que são substâncias que atuam como “mensageiras”, participando da comunicação entre neurônios, células do cérebro e demais células do corpo, como aponta a nutricionista Laís Bhering, integrante do grupo de pesquisa Imunometabolismo da Escola de Enfermagem da UFMG.

Grãos integrais, peixes, oleaginosas, legumes e vegetais estão na lista de recursos que podem nutrir e potencializar as funções cerebrais. Já o ovo está diretamente relacionado à atividade da memória.

“Estudos mostram que comer alimentos ricos em proteínas como ovos no café da manhã pode melhorar o desempenho cognitivo”, observa Gustavo Cunha, professor do curso de nutrição das Faculdades Kennedy. 

Versáteis, fáceis de encontrar no mercado e de preparar, os tomates também são aliados. Eles possuem licopeno, que ajuda a impedir o desenvolvimento de demência e de doenças como o Alzheimer. Já o ômega 3, encontrado em peixes de águas profundas e na linhaça, é um óleo essencial que, além de auxiliar no desenvolvimento do neurônio, também tem ação anti-inflamatória.

Cuidado

Porém, assim como existem comidas que podem facilitar as funções cerebrais, algumas dietas, ricas somente em carboidratos e gorduras saturadas, são prejudiciais para o organismo. 

“Para que o corpo possa digerir isso, acaba gastando excessivamente vitaminas e sais importantes para o desenvolvimento cognitivo neuronal e da memória. Então, a pessoa é mais letárgica, com pouca energia”, afirma Laís Bhering.

Há 27 anos, a psicopedagoga Márcia Gonçalves Rocha, de 50, cortou alimentos industrializados do cardápio. O interesse em mudar a alimentação veio quando estava grávida da primeira filha e se mantém até hoje. Couve, alface, almeirão, rúcula e agrião são alguns dos vegetais que planta na horta que montou em casa.

“Desde que comecei a comer bem me sinto mais disposta, durmo melhor e sou mais atenta”, conta. Para quem não tem espaço para cultivar os próprios alimentos, Márcia indica ir sempre a um sacolão. “É um recurso para evitar industrializados”, diz. 

O professor Gustavo Cunha lembra que, embora seja muito importante, a boa alimentação não é o único fator que age para “prevenir e melhorar os índices de concentração, memória e desempenho cognitivo”. Exercícios físicos e noites bem dormidas fazem toda a diferença nessa jornada.