Saber diferenciar as espécies de "plantas daninhas" é extremamente importante já que algumas delas podem causar grandes danos e, consequentemente, perdas nas lavouras. Além disso, há também as consequência indiretas, como o aumento do custo nas produções agrícolas, dificuldades de colheita, depreciação da qualidade do produto e hospedagem de pragas e doenças.

É por isso que, ao observar a dificuldade de colegas de sala em reconhecer, diferenciar e identificar esse grupo de espécies, o estudante Márcio Venícius Barbosa Xavier, graduando no 8º período de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), decidiu criar um guia de identificação das plantas daninhas do Instituto de Ciencias Agrárias (ICA), onde estuda.

O guia é uma aplicação prática da botânica e compreende uma ação de popularização da ciência. Também é uma solução eficiente para a difusão do conhecimento sobre as plantas e combate da chamada cegueira botânica, ou seja, a dificuldade das pessoas observarem e compreenderem a importância das plantas no ambiente em que vivemos.

Ervas daninhas do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG

Disponível na internet apenas em inglês, manual lista espécies existentes no campus Montes Claros

O material torna prático o reconhecimento e identificação de parte das principais plantas daninhas não só do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG, mas também do Brasil. Isso porque as espécies que compõem o guia são registradas em praticamente todos os Estados do país, o que aumenta a sua utilidade. Além disso, as imagens das características que se destacam mais em cada espécie possibilitam o uso tanto por profissionais da área e produtores rurais, como por leigos.

Para a confeccão do guia, Márcio visitou todas as áreas agricultáveis do ICA da UFMG e também os locais com maior fluxo de pessoas no campus de Montes Claros, a fim de saber quais eram as espécies mais comuns e abundantes nestes espaços. Em campo, o estudante fotografou todas as espécies com foco nas características diagnósticas que facilitariam a identificação. Em seguida, coletou as espécies e as identificou com o auxílio de artigos e livros especializados no assunto. Os exemplares foram incorporados à coleção do herbário do ICA (Herbário Norte Mineiro - MCCA). 

O estudante ainda contou com a colaboração do técnico do herbário MCCA e Biólogo, Diego Tavares Iglesias, e foi orientado pela bióloga, cientista e educadora na área de Sistemática e Dendrologia, Rúbia Santos Fonseca. O guia foi desenvolvido dentro do grupo de estudos e pesquisa em Reprodução, Fenologia e Florística de Vegetações Sazonais (ReFFlor) com suporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

O resultado é o primeiro guia de identificação de campo com as 42 espécies daninhas mais comuns no Instituto de Ciências Agrárias da UFMG.  O trabalho conta com 76 fotografias coloridas e com elevada resolução, nome científico e família botânica de cada planta. Além disso, possui acesso e download gratuito na plataforma on-line Field Museum Guides.

*Vivian Chagas sob supervisão de Cássia Eponime

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