Alunos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) têm passado dias de apreensão após receberem ameaças de um atentado dentro do campus, localizado na Pampulha. Por meio de publicações anônimas na internet, um homem tem emitido avisos de que entrará armado em um prédio da instituição para matar os alunos.

Na primeira postagem, publicada em um fórum conhecido como “Dogola Chan”, em meados de setembro, o autor diz que elaborou um plano para matar os estudantes, chamados por ele de “alunos degenerados”. Ele chegou a publicar fotos e informou que todo o ataque já estaria planejado. “Eu pegaria um táxi daqui até a Fafich e mataria o máximo de degenerados que encontrasse no campus. O meu plano era trancar todas as salas, depois abrir uma por uma e ir matando todos”, diz o texto. O possível terrorista também escreveu como as execuções aconteceriam. “A cada sala que eu entrasse, mandaria todos para o fundo, as mulheres para um lado e os homens para o outro. Os homens, eu mataria primeiro”, afirmou.

Inicialmente, a página em que as mensagens foram publicadas foi retirada do ar. Ainda assim, por meio das redes sociais, os alunos já vinham alertando sobre a continuidade delas. Perfis de feministas, ativistas sociais e pensadores de todo o Brasil têm recebido por meio de comentários reproduções das ameaças feitas anteriormente. Por se tratarem de conteúdo impróprio, elas são rapidamente apagadas das redes.

Passado algum tempo, o fórum "Dogola Chan" voltou a receber as ameaças do suposto terrorista. Ele chegou a compartilhar a imagem de uma reportagem sobre as ameaças publicada por um jornal de Minas e alegou estar associado ao Estado Islâmico. "A melhor coisa que aconteceu na minha vida foi ter conhecido um recrutador do Estado Islâmico chamado Ismail AI-Brazili. Infelizmente, ele foi preso e não deu pra ele me passar toda a grana que me prometeram. Mas estou juntando o resto da grana e dos materiais. Isso vai ser lembrado daqui a 100 anos. Eu vou fazer um mal que nunca foi feito no Brasil", diz.

Print fafich

Suposto atirador chegou a afirmar que ataque será maior que o de Boston

Doutorando em História Social da Cultura na UFMG, o estudante Igor Nefer contou ao Hoje em Dia que as publicações despertaram receio e medo nos alunos da instituição. "O pessoal fica apreensivo, assustado, e não sabe muito bem o que pensar ou como agir. Ao mesmo tempo em que as ameaças possam ser inválidas, por estarem vindo da internet, esse discurso de ódio contra alunos da Fafich existe, porque são pessoas com pensamentos e comportamentos que incomodam muita gente", afirmou.

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No fórum publicado, é possível notar que as postagens datam de outubro de 2009. Nafer explica que os dados são falsos. "Antes de as mensagens serem apagadas, alguns estudantes conseguiram observar que as datas foram alteradas. Existe a possibilidade de ver quando o conteúdo sofre alteração e este, no caso, sofreu, pois a edição foi vista", explicou.

Embora as páginas com as ameaças tenham sido retiradas do ar, os alunos conseguiram efetuar prints nas telas. Neles, é possível ver o autor detalhando o plano e explicitando como imagina se sentir ao realizar o atentado. “Imaginem a sensação de poder ver e ouvir essas f. d. p. berrando de medo e chorando. Só de imaginar sinto o mesmo bem-estar e euforia de quando cheiro cocaína”, diz.

No fórum, o autor chega a ser questionado sobre a razão de escolher a Fafich para realizar o atentado. Ao responder, o suposto terrorista dá a entender que é um ex-aluno da UFMG e explica como está se preparando para a ação."A UFMG acabou com a minha vida e eu vou descontar tudo o que fizeram comigo na Fafich. Usarei bombas e duas pistolas. Já estou aprendendo a fazer as bombas pela internet, no site ISIS (Estado Islâmico)". Ele também relata a ansiedade em promover o atentado. "Eu acordo sonhando com isso. Essas memórias já estão na minha cabeça como se fosse Deus me pedindo pra fazer isso", encerra.

Print fafich

Autor das publicações disse que tem a sensação de que Deus está lhe 'pedindo pra fazer isso'

Contatada, a assessoria de imprensa da UFMG informou que assim que recebeu a denúncia, formalizada no mês de setembro, acionou a Polícia Federal, que ficou responsável pelo caso. A reportagem entrou em contato com a corporação para saber quais medidas estão sendo tomadas para apurar o caso, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno.

*Com Mariana Nogueira