Colocar em prática o que se aprende em sala de aula é essencial para que o universitário compreenda a dinâmica do mercado de trabalho. Porém, as atividades podem ir além e até transformar a realidade de comunidades. Em Sabará, na Grande BH, um centro de saúde ampliou a assistência aos pacientes com o auxílio de estudantes do curso de Enfermagem das Faculdades Kennedy e Promove, sediadas na capital.

Desde março, as ações são desenvolvidas a cada 15 dias, por cerca de 80 alunos, na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Regional Roça Grande. Com a ajuda dos acadêmicos, o local passou a atender, por mês, 20 mulheres para o exame preventivo. “Esse número não era alcançado”, diz Heriton Costa, enfermeiro do posto.

O reforço dos estudantes ainda possibilitou o aumento da cota em apenas dois meses. Em abril e maio, segundo o profissional, foi possível emitir 78 avaliações. 

Os alunos também recepcionam os usuários e, no consultório, aferem pressão e temperatura e realizam exames

Bate-papo

O grupo de alunos ainda promove encontros educativos com mulheres, crianças e pessoas diabéticas. “Em rodas de conversa e dinâmicas, é estimulado o empoderamento sobre o próprio corpo, através da transmissão de conhecimentos”, explica a coordenadora da iniciativa, Láyza Machado Braga.

A proposta da ida dos estudantes à UBS surgiu a partir das disciplinas que a professora leciona na faculdade. Antes de sair a campo, eles receberam treinamento na instituição de ensino. “A técnica e a prática devem caminhar juntas para trazer, o quanto antes, o fazer do enfermeiro”, frisa.

Adesão

O projeto deu certo. O encontro com as mulheres busca orientá-las sobre a importância dos exames preventivos contra os cânceres de colo de útero e mama e debater temas como alimentação, comportamento e violência doméstica. “Na primeira semana (em março) foram quatro, hoje somam mais de 40 participantes”, diz Láyza.

Para atrair as mães, um mês depois as crianças passaram a ser instruídas sobre cuidados com a higiene bucal e couro cabeludo, dentre outros assuntos. As atividades são lúdicas.

Já no início de agosto, o bate-papo com diabéticos foi colocado em prática e os pacientes aprenderam a lidar com a doença. Dieta e atividades físicas estão entre os temas abordados.

“Orientar as pessoas é importante. Se a gente não cuida do próprio corpo, quem irá cuidar?”, diz Paulino Silva, de 80 anos, um dos 15 participantes.

Enriquecimento

Zita Maria Silva, de 62, aprova a presença dos alunos na UBS. “Com os afazeres não nos organizamos para cuidar da gente. Estou fazendo isso agora”, conta.

Ao mesmo tempo que ensina sobre autocuidados, Vitória Fraga, matriculada no 6º período de Enfermagem da instituição, afirma que aprende com a comunidade. “Estou evoluindo profissionalmente e estarei mais preparada quando buscar uma vaga de emprego”, avalia a estudante. 

Leia Mais:

Estudantes de universidades públicas e privadas de BH vão ser vacinados contra o sarampo

Clínicas, consultorias e estética são opções para o profissional de enfermagem

Universitários se unem a projeto social para atender demandas no Norte de Minas