A plumagem é verde, mas algumas penas em tons de roxo se destacam no peito do animal. A ponta das asas é azul e o bico, avermelhado. Mede cerca de 30 centímetros e contribui de forma considerável com a conservação das florestas, pois transporta sementes que, no futuro, tendem a germinar e auxiliar na recomposição do ecossistema.

Popularmente conhecido como papagaio-de-peito-roxo, o Amazona vinacea está ameaçado de extinção e presente em apenas três países da América Latina: Brasil, Argentina e Paraguai. Dados de um censo internacional mostram aumento de 30% das aves avistadas com relação a 2015. Minas Gerais está no seleto grupo de localidades com a presença do bicho. 

Setenta e quatro aves foram contabilizadas no território mineiro, conforme estudo feito pelo projeto Charão e divulgado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. A maior parte foi localizada no Parque Estadual da Serra do Papagaio, na Serra da Mantiqueira, região Sul do Estado.

Atualmente, são cerca de 4 mil espécies no planeta. Apesar do aumento registrado, o papagaio-de-peito-roxo ainda é classificado como “em situação de perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), principal autoridade mundial para a classificação do risco de ameaça. 

Ilusório

“O crescimento de 30% é ilusório”, reforça a diretora técnica da ONG Espaço Silvestre, Vanessa Kaanã. “O risco continua o mesmo. O que ocorreu este ano foi que a metodologia de estudos melhorou, então a contagem foi feita de maneira mais efetiva, encontrando mais pontos de ocorrência da ave. Isso não significa que o número delas, de fato, subiu”.

O coro é engrossado pelo pesquisador da Universidade de Passo Fundo (RS) e coordenador do censo, Jaime Martinez. “Neste ano, foi ampliada a contagem em Minas Gerais e acabamos identificando novas regiões de habitat da espécie, como no parque. O local abriga metade das aves mineiras e é estratégico e importante para a conservação desses papagaios”.

Ninhos

Segundo Martinez, a ideia é adotar uma estratégia conservacionista, principalmente ligada à reprodução das aves. “Isso inclui a manutenção de árvores velhas nas propriedades rurais e a instalação de caixas-ninho. Isso ocorre porque essas aves utilizam ocos das árvores para a reprodução, cada vez mais raros na natureza”, afirma.

Além do trabalho executado no Parque Estadual da Serra do Papagaio, desde 1º de agosto estão sendo instaladas caixas-ninho em toda a Serra da Mantiqueira, região que se estende por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é aumentar o número de reproduções das aves, que começa em outubro. Martinez lembra que a intenção não é de reintrodução da espécie nesses locais, mas de recuperação dessa população.

Mais de 90% da quantidade de papagaios está no território brasileiro. A espécie ocorre em estados do Sul da Bahia até o Rio Grande do Sul. A presença é maior em Santa Catarina. Isso se deve ao fato de o Estado ter quase um terço do remanescente de floresta com araucárias, ecossistema da Mata Atlântica que é o ambiente preferido do papagaio-de-peito-roxo. 

A diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes, faz um alerta para esse principal habitat da ave. De acordo com ela, o cenário é delicado. “O local de maior ocorrência (floresta com araucárias) tem hoje apenas 3% da cobertura original”, acrescenta.

Colaborou Gabriela Brito