Por falta da documentação que atesta a estabilidade das estruturas, a Agência Nacional de Mineração (ANM) anunciou, nesta terça-feira (2), a interdição de 57 barragens em todo o Brasil. Deste total, 36 delas estão em Minas Gerais e 18 são da mineradora Vale, empresa responsável pelo rompimento ocorrido no dia 25 de janeiro em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A informação foi divulgada um dia após a própria mineradora anunciar que perdeu o atestado de estabilidade de dez novas barragens, elevando estas estruturas para o nível 1 de emergência. 

Conforme o órgão que fiscaliza as empresas de mineração, elas estão proibidas, a partir desta terça, de depositar materiais nos diques e nas barragens, entretanto, ainda não há necessidade de evacuação de moradores das zonas de autossalvamento, a não ser em alguns casos específicos onde o risco de rompimento é iminente, como em Barão de Cocais e Macacos, distrito de Nova Lima. 

As estruturas da Vale, que foram interditadas pela ANM, estão localizadas nas cidades de Itabira (barragens Pontal e Três Fontes); Ouro Preto (barragens Marés II, Grupo, Forquilha I, II e III); Itabirito (Maravilhas II); Mariana (barragens Campo Grande e Doutor); Barão de Cocais (barragens Sul Superior e Sul Inferior); Nova Lima (Dique B e barragens Capitão do Mato e Vargem Grande); e Brumadinho (barragens B5, VI e B1 - que se rompeu este ano). 

Vale explica

Questionada sobre o porquê da diferença no número apresentado na segunda-feira pela empresa e pela ANM nesta terça, a Vale informou que, posterior à divulgação feita inicialmente, de 17 estruturas, a empresa incluiu na lista de estruturas sem Declaração de Controle de Estabilidade (DCE) a barragem Sul Inferior, da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, elevando para 18 o número. 

Ainda de acordo com a mineradora, a barragem "recebeu nível de alerta 1 por estar a jusante (abaixo) da estrutura Sul Superior (que no momento apresenta nível de alerta 3)". A empresa garantiu ainda que a barragem Sul inferior não possui anomalias geotécnicas. 

Por fim a Vale explicou que já havia solicitado junto à agência a retirada de duas outras estruturas incluídas na lista pela ANM, sendo elas a B1, de Brumadinho, que se rompeu em janeiro, e Três Fontes, em Itabira, que já foi descaracterizada.

As demais 18 estruturas interditadas em Minas estão distribuídas em várias regiões do Estado e pertencem a diversas empresas, sendo elas: Arcelormittal, Bauminas, Catite, CSN, Emicon, MBR, Minerações Gerais, Mosaic Fertilizantes, Mundo Mineração, Nacional Minérios e Topazio Imperial. 

O Hoje em Dia procurou as mineradoras MBR, CSN, Topázio Imperial, Mosaic Fertilizantes e Nacional Minérios, que não se posicionaram. A reportagem não conseguiu contato com as empresas Bauminas, Catite, Mundo Mineração, Emicon, , Minerações Gerais e Nacional Minérios. 

Por nota, a ArcelorMittal informou que a barragem da Mina Serra Azul, em Itatiaiuçu, na região Central, está inativa desde outubro de 2012 e não apresentou alteração de segurança.


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