São quase 25 anos de dedicação exclusiva a uma das mais importantes artes sacras do país. Carlos Adalberto Alves dos Santos, de 47, sabe de cor e salteado a localização exata de cada uma das 586 figuras espalhadas pelos mais de 20 metros quadrados do Presépio do Pipiripau, no Horto, Leste de Belo Horizonte.

Responsável por centenas de carretéis, roldanas e correias, ele também fazia o trovão ecoar e os sinos soarem. Agora, passados cinco anos nos quais a engenhoca ficou parada e calada, o funcionário mais antigo do ícone elevado a patrimônio nacional tem motivos de sobra para comemorar. Está pronta a restauração da maquete, que volta a funcionar a partir de hoje, mais moderna e sustentável.

Pipiripau

“É uma felicidade imensa, um presente para o público”, afirma Carlinhos, como é conhecido. Ele se orgulha de ter ajudado os técnicos da equipe de restauro a remontar os 3 mil objetos e 45 cenas que narram o nascimento, vida, morte e ressurreição de Cristo. “Isso aqui representa a minha vida”, diz o mineiro nascido, criado e residente na capital.

A instalação levou nada menos que 82 anos para ser construída. O mecanismo é criação do artesão autodidata Raimundo Machado Azeredo. O presépio foi fechado em abril de 2012, quando foi feito o plano de reparo. No projeto da edificação, novas instalações elétricas, prevenção a incêndio e sinalização de emergência, dentre outras melhorias.

Pipiripau

O patrimônio foi restaurado pela UFMG em parceria com o Instituto Unimed–BH. Foram necessários R$ 565 mil, recursos captados por meio da adesão de médicos cooperados e colaboradores. “Estamos muito felizes em participar da entrega do restauro desse bem tão simbólico para os mineiros. É uma obra construída com exímio cuidado e dedicação pelo senhor Raimundo e que é um legado para as futuras gerações”, diz o diretor-presidente da Unimed-BH, Samuel Flam.


Presépio fica no Museu de História Natural e Jardim Botânico (Avenida Gustavo da Silveira, 1.035– Horto). Visitação, gratuita, acontece às quartas, quintas e sextas, às 11h e 16h. Aos sábados e domingos, às 11h, 12h, 15h e 17h