Os sócios do grupo Inap estão suspensos de suas atividades econômicas durante 60 dias. A decisão é da Vara Criminal de Inquéritos Policiais de Belo Horizonte, que respondeu a pedido do Ministério Público de Minas Gerais. Os empresários são investigados por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

A ação é um reflexo das investigações da operação Arte Final, deflagrada em dezembro do ano passado, para investigar os mesmos crimes. À época, a apuração do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet) apontou a sonegação de cerca de R$ 3 milhões em impostos devidos à Prefeitura de Belo Horizonte.

"Depois da operação Arte Final, foi constatado que as irregularidades fiscais e tributarias estavam persistindo. Já que a operação tinha sido deflagrada, eles passaram a buscar novas brechas para burlar a fiscalização. Isso motivou a intensificação da medida cautelar, não mais com mandados de busca e apreensão, mas com o afastamento dos sócios do controle da empresa", explicou Hugo Barros de Moura Lima, promotor no Caoet, em entrevista ao Hoje em Dia.

Segundo explicou o promotor, as medidas mais drásticas servirão para aumentar a capacidade de mapeamento das ações fraudulentas dos sócios. No decorrer das investigações ficou comprovado que os responsáveis pelo Inap continuaram a ocultar do Fisco municipal a receita total do grupo, informando uma quantidade menor de alunos do que aquela efetivamente matriculada nos cursos oferecidos. Além disso, os administradores passaram a redirecionar os recursos recebidos dos alunos para uma terceira empresa, registrada em nome de laranjas.

Contudo, ele deixa claro que a intenção não é prejudicar o funcionamento dos cursos que são oferecidos pela entidade. Desde essa terça-feira (17), já há um administrador-judicial, a Dictum Instituto Sociedade Simples Ltda, atuando na administração do grupo, o que foi confirmado, inclusive por funcionários da instituição.

"Não está tendo impacto nenhum aos alunos e professores. As aulas seguem normalmente. Os diretores foram afastados pelo período de 60 dias conforme determinação da Justiça. Todas as informações estão concentradas em mim e tudo o que precisarem será passado, dede que respaldado pela lei. O nosso jurídico também está ciente e também está ciente e colaborando", explicou Davi Max Nazário, gerente-geral do grupo Inap.

Sobre os atrasos de salários que foram registrados e a paralisação realizada em abril deste ano, o promotor afirma que soube do caso pela imprensa e que ainda não tem informações precisas sobre a atual situação financeira do grupo, já que o primeiro relatório ainda não foi entregue pela empresa a cargo da administração neste período de 60 dias.

Segundo uma fonte ouvida pelo Hoje em Dia, os salários deste mês foram depositados no dia correto, ao contrário de outros meses quando ocorriam até 10 dias de atraso nos vencimentos.

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