Cento e cinco metros quadrados de concreto do piso da pista do BRT (Transporte Rápido por Ônibus) começaram a ser arrancados na segunda-feira (20) na avenida Cristiano Machado, na altura do bairro Ipiranga, região Nordeste de Belo Horizonte.

Trincas surgiram em alguns pontos da obra, e o concreto precisou ser destruído. No dia 9 de maio, o Hoje Em Dia mostrou, com exclusividade, que uma estação do BRT da mesma avenida Cristiano Machado havia sido destruída, segundo operários, por erro técnico. Porém, de acordo com a prefeitura, a estrutura era apenas um protótipo.

“É uma vergonha ver dinheiro público indo parar no entulho. Isso é mais uma prova de que não há planejamento na execução das obras públicas”, reclamou o pedreiro José Carlos de Souza, de 42 anos, que segunda-feira (20) à tarde observava a destruição enquanto esperava por mais de mais de uma hora um ônibus para Santa Luzia.

Um outro operário, que ajudava a arrancar o concreto e pediu para que seu nome não fosse divulgado, não escondia a indignação. “As trincas surgiram porque o cimento foi jogado de qualquer jeito. Esse custo acaba sendo repassado para a prefeitura”, desabafou.

O consórcio Constran, responsável pela obra, informou que o custo será arcado pelas empreiteiras, sem ônus para a prefeitura. Segundo o consórcio, o problema foi constatado após vistoria feita pelo setor de inspeção de qualidade da Constran.

Ainda segundo a empresa, a área que passa por intervenção corresponde a 0,16% dos 65 mil m² previstos para o sistema de transporte em implantação na capital. “O índice médio de reparo verificado em obras dessa envergadura é de 2%”, diz a nota da empresa.

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) garante que não vai arcar com nenhum custo da retirada do asfalto e alega que o “reparo é decorrente de inspeção de qualidade”.

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