Permanece internada no Hospital João XXIII, em Belo horizonte, a menina de 10 anos que caiu do 9º andar de um prédio no bairro Heliópolis, na região Norte de Belo Horizonte, na madrugada desse domingo (13). Ela chegou à unidade de saúde inconsciente, com múltiplas fraturas e trauma no tórax.  

A suspeita é de que a menina seja sonâmbula, conforme relato de familiares. Este é o segundo caso no país, em menos de 30 dias, envolvendo sonambulismo e queda. O outro foi a morte de um garoto de 12 anos, que caiu do 9° andar de um hotel em Salvador, na Bahia, possivelmente durante uma crise de sonambulismo. O caso foi registrado no dia 23 de setembro. 

Mas, o que dizem os médicos sobre casos como estes e como os pais devem agir? Médicos afirmam que o sonambulismo é um fenômeno benigno comum que se manifesta, geralmente, no início da fase escolar e se estende até o início da adolescência. Não há estudos precisos sobre as causas e, na maioria das vezes, não é necessário tratamento.

Ele é desencadeado durante o estágio mais profundo do sono e se caracteriza pela realização de atividades motoras sem a pessoa ter consciência plena do que está fazendo.  

Como medida de segurança, os pais que perceberem algum sinal de sonambulismo no filho podem tomar alguns cuidados básicos: manter janelas fechadas ou colocar grades; deixar a porta trancada e sem a chave na fechadura; não deixar objetos espalhados no chão para evitar que a criança tropece; bloquear escadas; guardar facas e tesouras em locais de difícil acesso. Outra dica é sempre usar o bom senso para evitar situações de risco.

Quando o tratamento é indicado

Quando os casos se tornam muito frequentes ou passam a provocar desconforto na criança, os pais devem procurar um médico. Na ocasião do primeiro caso, a médica neurologista e neurofisiologista Ana Paula Gonçalves, que também é especialista em transtorno do sono, chamou a atenção para outros problemas que podem estar ligados ao sonambulismo, como a apneia, caracterizada por interrupções na respiração que se repetem, no mínimo, cinco vezes em um período de uma hora. "Nesses casos, um outro distúrbio interrompe aquele estágio profundo do sono", afirma.

Ela também explica que o tratamento pode ser feito com medicamentos ou técnicas especiais. "Por exemplo, se a gente sabe qual o horário que a pessoa costuma ter o sonambulismo, podemos acordá-la previamente, interrompendo esse ciclo", afirma.

Os casos

Na madrugada desse domingo (13), uma menina de 10 anos caiu do 9º andar de um prédio no bairro Heliópolis, na região Norte de Belo Horizonte. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e levada para o Hospital João XXIII, inconsciente e com múltiplas fraturas e trauma no tórax. 

A perícia da Polícia Civil de Minas Gerais compareceu ao local e informou que o prazo para a conclusão do laudo é de 30 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30.

No dia 23 de setembro deste ano, um garoto de 12 anos morreu, em Salvador (BA), ao cair da janela de um prédio. O corpo dele foi encontrado na área da piscina. No momento do acidente, apenas ele e o tio, dono do quarto no condo-hotel, estavam no imóvel. Os outros parentes estavam no saguão do prédio. 

Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de Salvador, o caso está sendo investigado como acidente decorrente do estado de sonambulismo do garoto. Para a polícia, os pais informaram que o menino não fazia nenhum tipo de tratamento. No local, os peritos constataram ainda que o apartamento onde o garoto estava não tinha rede de proteção. 

Leia mais:
Morte de garoto que caiu do 9º andar acende alerta sobre riscos do sonambulismo